Arquivos

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis




O MEU EI PARA VOCÊ
 




Escrito por Elcídio Grandi às 13h21
[] [envie esta mensagem
] []





ELCÍDIO GRANDI

 

 

 

 

O MEU EI

PARA VOCÊ

 

 

 

 

 

COLETÂNEA DE LIGEIRAS

CRÔNICAS RADIOFÔNICAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LIVRARIA EDITORA ZELIO VALVERDE S. A.

Travessa do Ouvidor, 27

RIO – 1948


 

 



Escrito por Elcídio Grandi às 16h12
[] [envie esta mensagem
] []





 

A verdade pode ser dita em todas as línguas, em todos os dialetos. Da boca do sábio ao sussurro do leito, ela é una, forte e temida.

 

 

 

 

O direito é propriedade de todos os viventes. Cair abraçado a ele é dever de todo cidadão.

 

 

 

A liberdade é o maior escudo de defesa humana. Ser livre é estar mais próximo de Deus.

Escrito por Elcídio Grandi às 16h11
[] [envie esta mensagem
] []





OFERENDA

 

 

 

A MEUS PAIS

 

 

À D. NHANHÁ DE MATOS,

 

 

AOS AMIGOS DA LIBERDADE E DO DIREITO, DEDICO SEM PRETENSÕES ESTA MINHA OBRA.



Escrito por Elcídio Grandi às 16h11
[] [envie esta mensagem
] []





ESCLARECIMENTO

 

 

(p.19)

 

 

 

Em tempo, aos leitores de outras plagas, desejo esclarecer, sucintamente, o significado da palavra EI:

 

Nascida no espírito fraternal do povo lavrense, esta pequenina palavra de duas letras, encerra em si um todo de cordial e significativo, em substituição ao habitual “Bom dia”, “Boa Tarde” ou “Boa Noite”. Traz ainda, pela sua docilidade, pela sua natural pronúncia, saturada de sinceridade, o desejo de venturas e a familiaridade amiga de um povo desprendido e igual.

 

Nascido que seja, já o pequenino filho desta terra de Álvaro Botelho, escuta de seus maiores esta saudação simples, alegre e despretensiosa: “EI”...

 

Deixando pois aqui, em síntese, este pequeno esclarecimento, deixo também a todos os meus leitores, fraternalmente...

 

... O meu “Ei”!

 

O meu “EI” muito lavrense.

 

 

ELCÍDIO GRANDI



Escrito por Elcídio Grandi às 16h10
[] [envie esta mensagem
] []





PREFÁCIO

 

p.23

 

Lanço um breve olhar pelos horizontes da vida; vejo uma infame bacanal de misérias arrastando-se aos pés da orgia do esperdício. Vejo um escravo faminto, sob a chibata de um senhor impiedoso. Contemplo a mendicância e a fome estiradas sob os tacões da ostentação e dos banquetes.

 

Em contrastes gritantes... uma “champagne” que estoura e morte à falta de amparo.

 

Esquálidas mãos se levantam; pedem uma esmola pelo amor de Deu...! E borbulham nas mãos dos potentados, em brindes afrodisíacos, finas taças de cristal.

 

De um lado a miséria e os calos, o trabalho insano e a dor cruciante, do outro a riqueza e as jóias, o lazer e a opressão.

 

São palácios ostentosos; são choupanas com goteiras, são finas mãos delicadas... são mãos duras e cansadas.

 

A vergonha, o escárnio, o riso. O pranto, o gargalhar feliz; a ignorância, a culpa e a traição!

 

Arrastam-se honras na lama... abusam do mando os mais ignóbeis chacais.

 

Campeia a ignorância e o desamparo... e a decadência do ouro coleciona encadernações.



Escrito por Elcídio Grandi às 16h09
[] [envie esta mensagem
] []





A SUA CRISE, BRASIL, ACIMA DE QUALQUER OUTRA, É HORRENDA, MONSTRUOSA, DESCABIDA.

 

É UMA CRISE DE VERGONHA!

 

 

 

Jamais aflorou em meu pensamento a idéia de fazer-me literato e nem sequer me ocupa a imaginação a pretensão de tal. Lanço nas bancas esse livro meu, coletânea de ligeiras crônicas radiofônicas, atendendo à solicitação de amigos e tão somente por isto.

 

Se você, leitor, sabe fazer diferença entre o elogia merecido e a bajulação vergonhosa, leia este e compreenda que os nomes ou instituições nele apontados, como virtude e honra, merecem de fato, não somente páginas como estas, mas sim verdadeiros poemas escritos por mãos de mestres.

 

Ao compilar este punhado de crônicas para a organização deste volume, procurei não modificá-las, conservando-as com todo o seu sabor primitivo, sem lapidação e sem rodeios, cruas, sinceras e francas como a minha própria pessoa.

 

Embora de pequena envergadura, esta minha obra vai saturada de verdades, cheia de revolta contra a tirania e a imposição. Exuberante de liberdade, franca e destemerosa.

 

Estas páginas não foram escritas para os espíritos servis. Não foram romanceadas para os temperamentos apaniguados. Foram forjadas para os homens que conhecem o ideal de luta e batalham por alguma coisa nobre, acima do lodo da existência.

 

Minhas crônicas, embora não obedeçam ordem cronológica na organização deste volume, foram escritas em épocas oportunas, sagrando nomes e feitos ou atacando déspotas e impostores.

 

Ao abrir você as primeiras páginas deste livro, caro leitor, deve primeiro consultar a sua consciência, vasculhar os seu atos e compenetrar-se de ser na verdade um homem livre, pois de outra forma esta leitura poderá criar dentro do seu peito um sentimento de revolta contra mim, avivando ainda mais o seu ódio à liberdade.

 

Aos rabiscadores de leis opressoras, também não recomendo minha obra, pois o antagonismo poderia chocá-los.

 

 

 

Ao cerrar as últimas palavras deste livro, desejaria também cerrar os olhos e nunca mais abri-los para contemplar a desigualdade da existência.

 

 

 

PARA OS LIVRES A MORTE É VIDA E A VIDA UMA LUTA SEM TRÉGUAS!

 

 

 

Lavras, janeiro de 1948.

 

 

ELCÍDIO GRANDI

 



Escrito por Elcídio Grandi às 16h09
[] [envie esta mensagem
] []





LIBERDADE DE PENSAMENTO

 

-Luta-

 

p.29

 

 

Se a luz da razão estrugisse de repente em todos os cérebros, em todos os corações, fornecendo a cada um as páginas claras do direito, da verdade e da liberdade, ouvir-se-ia do coração da própria terra um brado de “osanas” e o Supremo Criador, lá das alturas desprenderia suas mãos chagadas para aplaudir em delírio a compreensão e o raciocínio de seus filhos.

 

Se todos os homens tivessem a sua própria opinião e não a opinião imposta pelo outro e pela ganância, pela bajulação sórdida e pela gratidão efêmera, o mundo marcharia às claras,sem o vírus putrefato do mando e da obediência, da imposição e do servilismo.

 

Ter liberdade de pensamentos, num mundo de líderes açambarcadores, é incriminar-se contra o arbítrio dos potentados.

 

Num mundo, onde somente u’a meia dúzia de galardoados têm o direito de pensar e apontar, a reflexão do povo é um crime sem perdão.

 

Aceitar sem discutir; eis o direito do povo. Impor sem consultar; eis a liberdade do líder.

 

Aplaudir sem compreender; eis a obrigação da massa. Compreender e não aceitar; eis o direito do líder.

 

Liberdade de pensamentos: honra dos potentados – crime da coletividade.

 

Direito da traição: Política do mando.

 

Traição do direito: vontade da imposição.

 

O direito de errar é do povo, mas o erro do direito pertence ao líder.

 

Matar sem crime, é alçada dos mandatários. Incriminar-se sem matar, é a pena da coletividade.

 

Levantar com o sangue da massa o seu nome; eis o direito que pertence ao líder. Lutar sem recompensa; eis a obrigação do povo.

 

Seguir como um rebanho de ovelhas, o caminho apontado pelos líderes, seja qual for a meta imposta; é dever do povo sem opinião.

 

Mostrar o ponto e derramar o sangue, sem que os tentáculos da justiça alcancem os seus domínios, é liberdade do mando.

 

E é neste mundo de misérias e esperdícios, de covardias e traições, que vive esse povo ludibriado pela adulação, enxovalhado pela infâmia e escravizado pelo pensamento e vontade de poucos.

 

Se o ser livre é um crime nas leis da degeneração universal, eu sou um criminoso nato e sem perdão, merecedor da forca ou do pelourinho, pois a minha cabeça não se dobra ao peso dos chicotes governamentais e nem a minha palavra se alia à escravização e à vontade dos engalanados profissionais do mando.

 

Minha palavra foi, é e será sempre uma espada, forjada no âmago da liberdade, para a sua própria defesa. E eu sou um homem livre, livre na mais alta concepção da palavra, pois a liberdade material, para quem pensa e opina, é um mito, frente à verdadeira e luminosa liberdade de pensamentos e de espírito.

 

Procurando no fundo de cada um dos que impõem a sua vontade, não medindo o direito dos que o cercam, veremos pulular o pútrido miasma do servilismo e da ganância, pois todo carrasco é também um escravo, mais vil ainda que os escravos de senzala.

 

E é dentro dessa divagação impotente, contra o vírus da obediência descabida e a indignidade do abuso autoritário, que eu, soltando mais um falcão do meu direito, quero deixar aqui, para esse mito fantasista, para você, liberdade pensamentos, sonho de mentes livres, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 16h05
[] [envie esta mensagem
] []





MOLEQUE DE SARJETA

 

-Luta-

 

p.35

 

 

Nascido, muitas vezes de um pecado, de um abuso, ou da fome de uma infeliz desesperada, você, moleque de sarjeta, sem pai e sem nome, vive jogado nas enxurradas da vida, sem amparo e sem pão, aprendendo s9omente a estender a sua esquálida mão de prematuro sofredor, mendigando migalhas de porta em porta e temendo a cada esquina o aparecimento da polícia, que o escorraça e o maldiz.

 

Você, mísero pedaço de uma pátria desregrada, pária irresponsável e sem culpa, atravessa vida pelo lado negro, sem o direito de um lugar ao sol, aprendendo com a maldade humana, a furtar e a praticar atos indignos. Mas, você, farrapo de humanidade, escória das tabernas, não tem sobre sua cabeça a culpa de sua desgraça, pois vivemos num mundo onde o direito de ter e de saber, pertence àqueles que têm a bolsa recheada e um medalhão fulgente nos Brasões de uma descendência endinheirada.

 

Você, fruto do abandono e da fome, não tem o direito de erguer a sua voz para exigir, pois o seu nome não consta da relação dos apadrinhados junto aos nossos governantes e protegidos por fortunas descendências doiradas.

 

Você, negra mancha de uma pátria de burocratas inertes, nasceu da inanição e há de viver para a dor e o abandono, enquanto os amedalhados dirigentes deste solo de indiferenças, não deixarem os seus gabinetes de luxo e chegarem até às suas taperas imundas e sem teto. Enquanto a nossa pátria for dirigida por circulares e papelórios impotentes, você terá que rodar pelas sarjetas da existência, sem porto e sem parada, sem luz e sem proteção.

 

Enquanto a educação for privilégio dos que possuam uma certidão de nascimento e um pouco de ouro, você terá que buscar na mendicância e no roubo, o sustento de seus negros dias, aprendendo nos bordéis da vida, o caminho mais fácil para se tornar um cancro da existência, seguindo os passos dos que ontem, como você, nasceram da prostituição e da miséria. No mar do destino, você será sempre um barco abandonado, sem um porto onde lançar sua âncora, vagando ao sabor das ondas, sob a imposta bandeira de pirata.

 

Olhando por trás dos velários desta existência fictícia e vendo-o afogado nos charcos da vida, procurando u’a mão que o ampare, eu sinto uma revolta imensa e uma vergonha sem par, pois, se para os que sofrem do corpo, existem os hospitais, por que então, os que nasceram de um mau e involuntário estigma e vieram ao mundo com a alcunha de doente moral hereditário, não têm o direito de se curar e buscar o lado claro e iluminado da existência?

 

É para você, chaga aberta de uma pátria ferida, para você, mísero moleque de sarjeta, que eu deixo aqui hoje o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 16h04
[] [envie esta mensagem
] []





CACHORRO VIRA LATAS

 

-Símbolo-

 

p.39

 

 

No perambular miserável pelas sarjetas da vida, a Humanidade tem, como você, cachorro vira-latas, momentos em que as mãos do destino, pousam sobre a sua cabeça, com carinho e amizade, alisando-lhe os sofrimentos e pondo um bálsamo nas chagas de sua dor cruciante. Dias entretanto existem em que, as próprias mãos que foram carinhosas, esbofeteiam cegamente, como se ira de todos os deuses se acumulasse em seu coração e rompessem de repente, expelindo vingança sobre a face da humanidade.

 

A sua vida de mendigo de calçadas, cachorro vira-latas, é o perfeito retrato do sofredor que vive, vislumbrando de esquina em esquina um raio de esperança para sua existência deserdada, e, encontrando de esquina em esquina um pontapé impiedoso, dado pela ingratidão da vida, que, assentada nos estofos da fortuna, desconhece ou procura desconhecer o sofrimento alheio.

 

Entretanto, caminha pelos sendeiros da existência, cachorro vira-latas, vive a sua liberdade e quando ao transpor a calçada de algum solar principesco, seus olhos alcançarem a ver algum cão de luxo, de pêlos sedosos, circundado de carinhos e de riquezas, descansando sobre almofadões de seda, procura nos olhos deste que assim parece tão feliz, tendo por nome u’a coleira marchetada de jóias e verá rolar daquele olhar tristonho e indiferente, duas lágrimas de dor e sofrimento, brotadas de um coração que inveja a sua liberdade, não obstante o seu mau trato, e que chora ao peso de um cordão de ouro que lhe pende do pescoço – marca de uma existência escrava.

 

E caminha, caminha sem rumo e sem pouso dentro do seu sofrimento, pestilento cão de sarjeta, pois todo o ouro do mundo não vale o preço da sua liberdade. Reserva para aquele príncipe infeliz que você viu sobre estofos de cetim, um gemido sincero de sua compaixão e procura encontrar a felicidade dentro da desgraça e da vontade de ser livre, pois fora da liberdade o ser feliz é um mito.

 

E é para você, símbolo de uma vida livre, para você, cachorro vira-latas, que eu deixo aqui hoje, com admiração, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 16h03
[] [envie esta mensagem
] []





ALIANÇA DO DESESPERO

 

-Repulsa-

 

p.43

 

 

Ou dizemos que o Brasil possui dirigentes e povo, alheios às mesquinharias sórdidas dos vendedores da Pátria, ou bradamos que a nossa coletividade e o nosso governo, são formados por indivíduos sem brio e sem moral, sem o sentimento da honra e dignidade, que deveria, apoiando-se no sofrimento e na escravidão do passado, banir da face da terra as figuras nojentas que formam a aliança do desespero: Getúlio Vargas e Luiz Carlos Prestes. O primeiro; César decadente com pretensões de democrata, trazendo no sangue o vírus do mando absoluto. Mistificador indecente e sem escrúpulos, oportunista maníaco e desbriado. Traidor dos anseios do povo e responsável pela fome e miséria da coletividade.

 

O segundo; vendedor da Pátria ao jugo do estrangeiro, traidor infame da independência do povo, agente servil da imposição soviética, aborto de uma ditadura ultramarina, feto nojento de uma doutrina sangrenta, agitador das massas mal orientadas.

 

Numa junção que bem pode ser chamada a “aliança do desespero”, vemos essas duas figuras mesquinhas e bárbaras, sentindo periclitar o pedestal de um prestígio conseguido com a propaganda e a bajulação, unirem-se num abraço de medo e rancor, frente à visão do povo, que aos poucos se aclara e se define.

 

O César decadente, empola as suas palavras, não justificando a sua união com o agente vermelho. Ataca os homens de governo, tentando fazer paralelo entre a sua imposição e a administração do povo. Mastiga em anátemas baratos, querendo lançá-los à face da democracia, os ossos que ele mesmo criou no seio deste Brasil ludibriado. Desenterra as misérias e os abusos que a sua administração bárbara plantou no nosso meio, para fazer delas um baluarte contra a liberdade, como se governo atual fosse o direto responsável. Atribui a outrem os seus erros e as suas vergonhas, plantando-se como um justo orientador do povo, que a sua ganância e a sua esquálida mente transformaram em escravo da fome e da miséria.

 

O escravo russo, comprado pelo ouro e pela imposição de Stalin, põe-se publicamente contra os interesses nacionais, defendendo a doutrina soviética em afronta à democracia brasileira. Revolta as massas operárias contra opressões inexistentes, declara-se contra o Brasil, a favor de uma ditadura estrangeira e continua vivo, manchando com a sua presença de subserviente infame de uma doutrina antagônica ao regime do direito e da liberdade o solo de nossa terra.

 

E caminham agora esses dois abutres da vergonha, tentando desgarrar ainda vivo, o corpo dessa Pátria ferida e pobre, dessa Pátria que os ouviu confiante e esperançosa e que hoje sofre o peso da sua própria ignorância, desvalida por ter ouvido a palavra de César e envergonhada por ter acreditado nas balelas do lobo vermelho.

 

A comunidade brasileira se levanta aos poucos, desanuviam-se os seus olhos e a verdade vem aparecendo nua perante a compreensão do povo. Os pedestais da imposição começam a fraquejar e surge dessa derrocada, num abraço mesquinho e vergonhoso, nascido da degeneração e do desbrio, uma união de bárbaros impunes; é a “aliança do desespero”. Somam-se as traições de Prestes com as infâmias de Vargas. A podridão e o misticismo, a imposição e a desonra com o vandalismo e a mentira, a bajulação e a covardia.

 

E o povo do Brasil contempla... e o governo do Brasil contempla... e os bárbaros marcham impunes, num híbrido e descabido abraço de fraternidade; batalhando contra os direitos da coletividade, pregando o regime da força e do servilismo, atacando a honra da Pátria e vendendo-se ao ouro estrangeiro.

 

E eu me dirijo hoje a esses dois infames. Me dirijo a você, Getúlio Dorneles Vargas, a você apologista da mais baixa e sórdida canalha, a você, canceroso maníaco da ditadura e do mando descabido. Também me dirijo a você, Luiz Carlos Preste, a você, “Cavaleiro da Esperança”; esperança dos soviéticos, esperança dos que querem importar para nós um regime de vergonha e escravidão, esperança dos traidores, esperança dos vis, esperança falha do místico deus Stálin.

 

Eu confio nos destinos do Brasil. Confio no povo da minha Pátria e quero deixar aqui para a vergonha dos traidores, esperando que a mão da justiça caia sobre esses dois fantasmas da desordem, como uma espada de vingança, sobre você e para você, “aliança do desespero”, com imenso asco, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h28
[] [envie esta mensagem
] []





ESPADA DE BOLÍVAR

 

-Luta-

 

p.49

 

 

Alçando-se num arrojo de bravura, como que brotada do próprio âmago da liberdade, você, espada de Bolívar, arrancou das mãos da imposição os destinos de muitos povos latino-americanos, para lançá-los no caminho do direito e do livre arbítrio.

 

Você, flama ardente da justiça, lançou o seu gume libertador sobre a cabeça da tirania, decapitando-a aos pés da liberdade, rendendo assim o seu sagrado culto ao ideal de nobres mentes.

 

Você, incompreendida batalhadora da verdade, galgou serras e atravessou fronteiras, rompeu mitos e estraçalhou cadeias. Entretanto, os mesmo pulsos ontem libertados pela sua força, se erguem de todos os lados, de todos os rincões, para aplaudir os decadentes césares de uma era de desbrio e vergonha. As mesmas cabeças, um dia erguidas pela sua luta, dobram-se outra vez, sob o estalido dos chicotes anglo-saxônicos.

 

Essa raça de servos natos e adoradores dos grilhões da escravidão, procura nas trevas de sua própria ignorância, a mão que a açoita, para nela depositar o seu beijo de agradecimento e respeito. – Tristes farrapos de pátrias despedaçadas e vendidas por públicas moedas, no mercado da ganância universal.

 

Os mesmos braços que um dia se ergueram para aplaudir a sua obra, hoje se voltam contra você, indignados com a sua intromissão, que tirou deles o direito de ser escravos e de receber na própria face o ósculo de Judas, que campeia até hoje em todas as terras, procurando onde depositar a sua baba infame e nojenta da traição e do desbrio...

 

O Remorso, em outros tempos tão forte e resoluto, dorme agora abandonado nas trevas do esquecimento, por não mais encontrar guarida nos corações dos traidores. No mundo de hoje, a traição tem outro nome, legalizado pelo interesse e a ganância. Chama-se: GOLPE POLÍTICO.

 

Nos nossos dias, “a mão que afaga é a mesma que esbofeteia”. O escravo não perdoa jamais o braço que rompeu os seus grilhões e o mendigo se esquece do lar que o acolheu, voltando um dia para atirar pedras sobre as cabeças que o ampararam. – Ignorando-se a servidão do escravo, fugimos de um bofetão.

 

Mas, por sobre todas as vergonhas e podridões morais que povoam os nossos dias, existem ainda aqueles que amam a direito e a liberdade e que pugnam pela sua vitória. Existem ainda os corações agradecidos que contemplam deste imundo lodo, a luminosidade da sua obra, heróica espada de Bolívar, seguindo, se não com o corpo, mas com o espírito e a palavra, os caminhos que você traçou nos sendeiros da verdade.

 

Quando os homens chegarem a compreender o valor e a honra do direito e a liberdade for alguma coisa mais que uma palavra, você ocupará então o posto triunfal de que é merecedora, sobre os pedestais da glória, que serão levantados com sangue da tirania.

 

Confiante nos seus desígnios, contemplando a réstia de luz de seu gume, que ainda ilumina muitos horizontes, eu quero deixar aqui, para você, símbolo da liberdade, para você, espada de Bolívar, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h21
[] [envie esta mensagem
] []





CIDADE DE VARGINHA

 

-Ode-

 

Engastada no coração de Minas Gerais, você, cidade de Varginha, é uma pérola magnífica, que orna com brilho e esplendor este rincão que é nosso. Pedaço impoluto deste estado que foi a terra mater de Tiradentes.

 

Lavras, como irmã de ideais e acalentadora dos mesmos sonhos de progresso, que coroam com fulgor a fronte de seus filhos, lhe traz hoje um punhado de sua arte e de sua cultura, como se os braços de nossa terra se elevassem no espaço, atravessando montes e grotas para se encontrar com os seus, num estreitado e cordial abraço de fraternidade.

 

Esta caravana que saiu de Lavras, dos bastidores da Rádio Cultura para trazer a você u’a mensagem de amizade, representa bem o que temos de melhor e de mais vibrante, nos campos da arte bem dirigida.

 

E, Lavras se levanta para dizer: - Aceita, cidade de Varginha, esta prova de amor fraternal, que parte do mais profundo da nossa sinceridade e leva, com a vibração máxima do nosso desejo, a mensagem que há de reforçar mais e mais, os laços de mútua amizade que nos une para um futuro mais compreensível e cheio de recíproca cordialidade.

 

A fusão de ideais nobres que levantou a Rádio Clube de Varginha, se Fe no mesmo cadinho em que se forjou a Rádio Cultura D’Oeste, no qual depositamos também montões de sonhos arrojados, hoje emoldurados em tocante realidade.

 

E é para você, nossa irmã de ideais, para você, cidade de Varginha, que eu hoje deixo aqui o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h16
[] [envie esta mensagem
] []





PETRÓLEO DO BRASIL

 

-Luta-

 

p.57

 

 

Necessário se torna ainda em nosso país, para que possamos ter confiança nos destinos da pátria brasileira, de um expurgo minucioso e bem dirigido, que venha extirpar do nosso meio as mentalidades obscuras, que se vendem ao peso do ouro estrangeiro.

 

Demonstrado está, que a lavoura em nossa terra, deixou de ser o que foi em outros tempos: a principal fonte de renda.

 

Transmudando-se do terreno agrícola para o terreno industrial, marchamos a passo de tartaruga. Vemos uma usina siderúrgica que poderia ser uma das primeiras em todo o mundo, localizada em Volta Redonda, no estado do Rio, longe do minério e do carvão, produzindo um mínimo da sua capacidade – ganância política dos bem alimentados profissionais do mando, que, ao auscultar as necessidades da nação, colocam em primeiro lugar a mão sobre o próprio estômago. Homens abdominais, inconscientes usurpadores do direito de um povo – e Volta Redonda, que poderia hoje suprir o consumo interno e exportar em alta escala, arrasta-se impotente em sua má localização.

 

Surge agora, rompendo a crosta de nossa pátria, em jorros infindos, o negro ouro líquido – mola das indústrias – petróleo para a nossa emancipação econômica. E que acontece? Já os políticos improvisados, aproveitadores de legendas e da boa fé do povo, ávidos de outro e saturados de indiferença, tentam erguer em seus braços esta última esperança e entregá-la ao estrangeiro. Míseros espoliadores de uma pátria infeliz, que vendem a sua própria honra ao ouro exterior, olhando para dentro de si mesmos e pouco se importando com a coletividade e com os destinos da terra que os alimenta, com fartura, podemos dizer, pois para isso morrem de fome os menos iluminados.

 

Já as refinarias norte-americanas entulham de ações as mãos de um punhado de vermes das altas rodas governamentais; comprando votos na Câmara dos Deputados. E que podemos nós, simples e obscuros cidadãos desta pátria vendida, fazer contra a vontade dos enfarpelados mercenários da administração, que repartem o próprio chão da pátria aos prometedores que monopolizam o direito de ter? Assunto deste quilate, não deveria encontrar guarida entre as paredes da câmara. Expulsos daquele recinto e colocados nas mãos de uma justiça de ferro, deveriam ser os desabridos vendedores da honra e da vontade do povo.

 

O petróleo brasileiro nasce em nosso próprio solo, como um grito de esperança de um moribundo que se retorce nas mãos da morte. Por que então entregá-lo ao monopólio norte-americano, perdendo assim o direito que temos e de que necessitamos mesmo, para o reerguimento econômico de nossa pátria? Um moribundo não vende o remédio que pode tornar-lhe à vida.

 

Que os brados de todos os brasileiros se unam em uma só vontade, contra as mesquinhas sanguessugas do nosso direito, para derruí-los e sufocá-los em sua ganância desmedida.

 

Com a confiança de um brasileiro que almeja para o seu solo o direito de um elevado posto no conceito universal, eu quero deixar aqui, para você, PETRÓLEO DO BRASIL, esperança de melhores dias, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h15
[] [envie esta mensagem
] []





PONTO DE INTERROGAÇÃO

 

- Divagação-

 

p.61

 

 

Cada dia, ao encetar a caminhada pelas alamedas terrenas, encontro na Alfa e Ômega deste trilhar, duas encruzilhadas que marcam o princípio e o fim de todas as realizações.

 

Na primeira encruzilhada, nos encontramos sempre face a face com o desconhecido, como um ser que nascido das trevas da cegueira, abrisse de repente os olhos e vislumbrasse cenários nunca imaginados e coloridos a que o manto da escuridão lhe proíbe definir.

 

Desta encruzilhada à outra, vivemos o meio termo da vida, sorrimos ao novo cenário desconhecido a dúvida que nos há de torturar além da próxima elevação que azula no horizonte. Neste trecho forçado da vida, qualquer penacho de sol que risca o azul dos céus ou qualquer raio de lua que lança no negrume da noite uma fria e luminosa réstia,transforma-se aos nossos olhos em poemas cantantes de felicidade e se avolumam e crescem nas páginas que a nossa mente ingênua reserva à fantasia e à efeméride dos sonhos.

 

E marchamos... marchamos acalentando ilusões e construindo castelos. Derrubando com a nossa irresponsabilidade, obstáculos imaginários. Criando mitos e construindo fábulas, enfim; cortamos o entrepontos da vida, por sendeiros amplos e luminosos, alegres e despreocupados, de braços com o motivo que se nos deparou no bifurcamento inicial. Entretanto, sem se saber como, assoma-se aos nossos olhos, como a bailar no espaço, confuso e amedrontador,um ponto de interrogação. É que chegamos à encruzilhada decisiva, abrindo-se em dois caminhos; um deles é claro, amplo e reto; leva até a felicidade. O outro é negro, árido e espinhoso. Nas suas curvas trevosas, sobre escarpas íngremes, bailam os gênios da desgraça e do sofrimento; este leva até à infelicidade eterna.

 

Mas... sempre a dúvida. Sempre aquele ponto de interrogação a bailar misteriosamente aos nossos olhos.

 

Tentamos a escolha, mas o motivo que até ali nos foi sorridente e fácil, abre seus braços e fecha a entrada dos sendeiros de luz e nós voltamos as nossas vistas para a escuridão das trevas e marchamos pelo trilhar miserável da desdita, com uma última lágrima de esperança a luzir nos olhos, como se brotasse de um coração sem vida e chorasse a dor do desamparo e da saudade.

 

Morto o ideal, esgotada está a fonte de todos os sonhos; rompida está a ânfora das esperanças esmagada nas mãos impiedosas do destino.

 

E que foi que nos lançou para esse lado da vida? Circunstâncias... vontade... dever... indiferença? Não! O que nos levou até ali, foi aquele fantasma misterioso que embuçado no seu negro manto, gargalha pelas gargantas da vida, como se sua voz brotasse do coração de séculos há muito apagados nas páginas da existência; um ponto de interrogação.

 

E é para você, dúvida ferrenha, para você, fantasma da desdita, para você, ponto de interrogação, que eu deixo aqui, do profundo de suas trevas, como um murmúrio medroso, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h13
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]