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O MEU EI PARA VOCÊ
 




Escrito por Elcídio Grandi às 13h21
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ELCÍDIO GRANDI

 

 

 

 

O MEU EI

PARA VOCÊ

 

 

 

 

 

COLETÂNEA DE LIGEIRAS

CRÔNICAS RADIOFÔNICAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LIVRARIA EDITORA ZELIO VALVERDE S. A.

Travessa do Ouvidor, 27

RIO – 1948


 

 



Escrito por Elcídio Grandi às 16h12
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A verdade pode ser dita em todas as línguas, em todos os dialetos. Da boca do sábio ao sussurro do leito, ela é una, forte e temida.

 

 

 

 

O direito é propriedade de todos os viventes. Cair abraçado a ele é dever de todo cidadão.

 

 

 

A liberdade é o maior escudo de defesa humana. Ser livre é estar mais próximo de Deus.

Escrito por Elcídio Grandi às 16h11
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OFERENDA

 

 

 

A MEUS PAIS

 

 

À D. NHANHÁ DE MATOS,

 

 

AOS AMIGOS DA LIBERDADE E DO DIREITO, DEDICO SEM PRETENSÕES ESTA MINHA OBRA.



Escrito por Elcídio Grandi às 16h11
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ESCLARECIMENTO

 

 

(p.19)

 

 

 

Em tempo, aos leitores de outras plagas, desejo esclarecer, sucintamente, o significado da palavra EI:

 

Nascida no espírito fraternal do povo lavrense, esta pequenina palavra de duas letras, encerra em si um todo de cordial e significativo, em substituição ao habitual “Bom dia”, “Boa Tarde” ou “Boa Noite”. Traz ainda, pela sua docilidade, pela sua natural pronúncia, saturada de sinceridade, o desejo de venturas e a familiaridade amiga de um povo desprendido e igual.

 

Nascido que seja, já o pequenino filho desta terra de Álvaro Botelho, escuta de seus maiores esta saudação simples, alegre e despretensiosa: “EI”...

 

Deixando pois aqui, em síntese, este pequeno esclarecimento, deixo também a todos os meus leitores, fraternalmente...

 

... O meu “Ei”!

 

O meu “EI” muito lavrense.

 

 

ELCÍDIO GRANDI



Escrito por Elcídio Grandi às 16h10
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PREFÁCIO

 

p.23

 

Lanço um breve olhar pelos horizontes da vida; vejo uma infame bacanal de misérias arrastando-se aos pés da orgia do esperdício. Vejo um escravo faminto, sob a chibata de um senhor impiedoso. Contemplo a mendicância e a fome estiradas sob os tacões da ostentação e dos banquetes.

 

Em contrastes gritantes... uma “champagne” que estoura e morte à falta de amparo.

 

Esquálidas mãos se levantam; pedem uma esmola pelo amor de Deu...! E borbulham nas mãos dos potentados, em brindes afrodisíacos, finas taças de cristal.

 

De um lado a miséria e os calos, o trabalho insano e a dor cruciante, do outro a riqueza e as jóias, o lazer e a opressão.

 

São palácios ostentosos; são choupanas com goteiras, são finas mãos delicadas... são mãos duras e cansadas.

 

A vergonha, o escárnio, o riso. O pranto, o gargalhar feliz; a ignorância, a culpa e a traição!

 

Arrastam-se honras na lama... abusam do mando os mais ignóbeis chacais.

 

Campeia a ignorância e o desamparo... e a decadência do ouro coleciona encadernações.



Escrito por Elcídio Grandi às 16h09
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A SUA CRISE, BRASIL, ACIMA DE QUALQUER OUTRA, É HORRENDA, MONSTRUOSA, DESCABIDA.

 

É UMA CRISE DE VERGONHA!

 

 

 

Jamais aflorou em meu pensamento a idéia de fazer-me literato e nem sequer me ocupa a imaginação a pretensão de tal. Lanço nas bancas esse livro meu, coletânea de ligeiras crônicas radiofônicas, atendendo à solicitação de amigos e tão somente por isto.

 

Se você, leitor, sabe fazer diferença entre o elogia merecido e a bajulação vergonhosa, leia este e compreenda que os nomes ou instituições nele apontados, como virtude e honra, merecem de fato, não somente páginas como estas, mas sim verdadeiros poemas escritos por mãos de mestres.

 

Ao compilar este punhado de crônicas para a organização deste volume, procurei não modificá-las, conservando-as com todo o seu sabor primitivo, sem lapidação e sem rodeios, cruas, sinceras e francas como a minha própria pessoa.

 

Embora de pequena envergadura, esta minha obra vai saturada de verdades, cheia de revolta contra a tirania e a imposição. Exuberante de liberdade, franca e destemerosa.

 

Estas páginas não foram escritas para os espíritos servis. Não foram romanceadas para os temperamentos apaniguados. Foram forjadas para os homens que conhecem o ideal de luta e batalham por alguma coisa nobre, acima do lodo da existência.

 

Minhas crônicas, embora não obedeçam ordem cronológica na organização deste volume, foram escritas em épocas oportunas, sagrando nomes e feitos ou atacando déspotas e impostores.

 

Ao abrir você as primeiras páginas deste livro, caro leitor, deve primeiro consultar a sua consciência, vasculhar os seu atos e compenetrar-se de ser na verdade um homem livre, pois de outra forma esta leitura poderá criar dentro do seu peito um sentimento de revolta contra mim, avivando ainda mais o seu ódio à liberdade.

 

Aos rabiscadores de leis opressoras, também não recomendo minha obra, pois o antagonismo poderia chocá-los.

 

 

 

Ao cerrar as últimas palavras deste livro, desejaria também cerrar os olhos e nunca mais abri-los para contemplar a desigualdade da existência.

 

 

 

PARA OS LIVRES A MORTE É VIDA E A VIDA UMA LUTA SEM TRÉGUAS!

 

 

 

Lavras, janeiro de 1948.

 

 

ELCÍDIO GRANDI

 



Escrito por Elcídio Grandi às 16h09
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LIBERDADE DE PENSAMENTO

 

-Luta-

 

p.29

 

 

Se a luz da razão estrugisse de repente em todos os cérebros, em todos os corações, fornecendo a cada um as páginas claras do direito, da verdade e da liberdade, ouvir-se-ia do coração da própria terra um brado de “osanas” e o Supremo Criador, lá das alturas desprenderia suas mãos chagadas para aplaudir em delírio a compreensão e o raciocínio de seus filhos.

 

Se todos os homens tivessem a sua própria opinião e não a opinião imposta pelo outro e pela ganância, pela bajulação sórdida e pela gratidão efêmera, o mundo marcharia às claras,sem o vírus putrefato do mando e da obediência, da imposição e do servilismo.

 

Ter liberdade de pensamentos, num mundo de líderes açambarcadores, é incriminar-se contra o arbítrio dos potentados.

 

Num mundo, onde somente u’a meia dúzia de galardoados têm o direito de pensar e apontar, a reflexão do povo é um crime sem perdão.

 

Aceitar sem discutir; eis o direito do povo. Impor sem consultar; eis a liberdade do líder.

 

Aplaudir sem compreender; eis a obrigação da massa. Compreender e não aceitar; eis o direito do líder.

 

Liberdade de pensamentos: honra dos potentados – crime da coletividade.

 

Direito da traição: Política do mando.

 

Traição do direito: vontade da imposição.

 

O direito de errar é do povo, mas o erro do direito pertence ao líder.

 

Matar sem crime, é alçada dos mandatários. Incriminar-se sem matar, é a pena da coletividade.

 

Levantar com o sangue da massa o seu nome; eis o direito que pertence ao líder. Lutar sem recompensa; eis a obrigação do povo.

 

Seguir como um rebanho de ovelhas, o caminho apontado pelos líderes, seja qual for a meta imposta; é dever do povo sem opinião.

 

Mostrar o ponto e derramar o sangue, sem que os tentáculos da justiça alcancem os seus domínios, é liberdade do mando.

 

E é neste mundo de misérias e esperdícios, de covardias e traições, que vive esse povo ludibriado pela adulação, enxovalhado pela infâmia e escravizado pelo pensamento e vontade de poucos.

 

Se o ser livre é um crime nas leis da degeneração universal, eu sou um criminoso nato e sem perdão, merecedor da forca ou do pelourinho, pois a minha cabeça não se dobra ao peso dos chicotes governamentais e nem a minha palavra se alia à escravização e à vontade dos engalanados profissionais do mando.

 

Minha palavra foi, é e será sempre uma espada, forjada no âmago da liberdade, para a sua própria defesa. E eu sou um homem livre, livre na mais alta concepção da palavra, pois a liberdade material, para quem pensa e opina, é um mito, frente à verdadeira e luminosa liberdade de pensamentos e de espírito.

 

Procurando no fundo de cada um dos que impõem a sua vontade, não medindo o direito dos que o cercam, veremos pulular o pútrido miasma do servilismo e da ganância, pois todo carrasco é também um escravo, mais vil ainda que os escravos de senzala.

 

E é dentro dessa divagação impotente, contra o vírus da obediência descabida e a indignidade do abuso autoritário, que eu, soltando mais um falcão do meu direito, quero deixar aqui, para esse mito fantasista, para você, liberdade pensamentos, sonho de mentes livres, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 16h05
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MOLEQUE DE SARJETA

 

-Luta-

 

p.35

 

 

Nascido, muitas vezes de um pecado, de um abuso, ou da fome de uma infeliz desesperada, você, moleque de sarjeta, sem pai e sem nome, vive jogado nas enxurradas da vida, sem amparo e sem pão, aprendendo s9omente a estender a sua esquálida mão de prematuro sofredor, mendigando migalhas de porta em porta e temendo a cada esquina o aparecimento da polícia, que o escorraça e o maldiz.

 

Você, mísero pedaço de uma pátria desregrada, pária irresponsável e sem culpa, atravessa vida pelo lado negro, sem o direito de um lugar ao sol, aprendendo com a maldade humana, a furtar e a praticar atos indignos. Mas, você, farrapo de humanidade, escória das tabernas, não tem sobre sua cabeça a culpa de sua desgraça, pois vivemos num mundo onde o direito de ter e de saber, pertence àqueles que têm a bolsa recheada e um medalhão fulgente nos Brasões de uma descendência endinheirada.

 

Você, fruto do abandono e da fome, não tem o direito de erguer a sua voz para exigir, pois o seu nome não consta da relação dos apadrinhados junto aos nossos governantes e protegidos por fortunas descendências doiradas.

 

Você, negra mancha de uma pátria de burocratas inertes, nasceu da inanição e há de viver para a dor e o abandono, enquanto os amedalhados dirigentes deste solo de indiferenças, não deixarem os seus gabinetes de luxo e chegarem até às suas taperas imundas e sem teto. Enquanto a nossa pátria for dirigida por circulares e papelórios impotentes, você terá que rodar pelas sarjetas da existência, sem porto e sem parada, sem luz e sem proteção.

 

Enquanto a educação for privilégio dos que possuam uma certidão de nascimento e um pouco de ouro, você terá que buscar na mendicância e no roubo, o sustento de seus negros dias, aprendendo nos bordéis da vida, o caminho mais fácil para se tornar um cancro da existência, seguindo os passos dos que ontem, como você, nasceram da prostituição e da miséria. No mar do destino, você será sempre um barco abandonado, sem um porto onde lançar sua âncora, vagando ao sabor das ondas, sob a imposta bandeira de pirata.

 

Olhando por trás dos velários desta existência fictícia e vendo-o afogado nos charcos da vida, procurando u’a mão que o ampare, eu sinto uma revolta imensa e uma vergonha sem par, pois, se para os que sofrem do corpo, existem os hospitais, por que então, os que nasceram de um mau e involuntário estigma e vieram ao mundo com a alcunha de doente moral hereditário, não têm o direito de se curar e buscar o lado claro e iluminado da existência?

 

É para você, chaga aberta de uma pátria ferida, para você, mísero moleque de sarjeta, que eu deixo aqui hoje o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 16h04
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CACHORRO VIRA LATAS

 

-Símbolo-

 

p.39

 

 

No perambular miserável pelas sarjetas da vida, a Humanidade tem, como você, cachorro vira-latas, momentos em que as mãos do destino, pousam sobre a sua cabeça, com carinho e amizade, alisando-lhe os sofrimentos e pondo um bálsamo nas chagas de sua dor cruciante. Dias entretanto existem em que, as próprias mãos que foram carinhosas, esbofeteiam cegamente, como se ira de todos os deuses se acumulasse em seu coração e rompessem de repente, expelindo vingança sobre a face da humanidade.

 

A sua vida de mendigo de calçadas, cachorro vira-latas, é o perfeito retrato do sofredor que vive, vislumbrando de esquina em esquina um raio de esperança para sua existência deserdada, e, encontrando de esquina em esquina um pontapé impiedoso, dado pela ingratidão da vida, que, assentada nos estofos da fortuna, desconhece ou procura desconhecer o sofrimento alheio.

 

Entretanto, caminha pelos sendeiros da existência, cachorro vira-latas, vive a sua liberdade e quando ao transpor a calçada de algum solar principesco, seus olhos alcançarem a ver algum cão de luxo, de pêlos sedosos, circundado de carinhos e de riquezas, descansando sobre almofadões de seda, procura nos olhos deste que assim parece tão feliz, tendo por nome u’a coleira marchetada de jóias e verá rolar daquele olhar tristonho e indiferente, duas lágrimas de dor e sofrimento, brotadas de um coração que inveja a sua liberdade, não obstante o seu mau trato, e que chora ao peso de um cordão de ouro que lhe pende do pescoço – marca de uma existência escrava.

 

E caminha, caminha sem rumo e sem pouso dentro do seu sofrimento, pestilento cão de sarjeta, pois todo o ouro do mundo não vale o preço da sua liberdade. Reserva para aquele príncipe infeliz que você viu sobre estofos de cetim, um gemido sincero de sua compaixão e procura encontrar a felicidade dentro da desgraça e da vontade de ser livre, pois fora da liberdade o ser feliz é um mito.

 

E é para você, símbolo de uma vida livre, para você, cachorro vira-latas, que eu deixo aqui hoje, com admiração, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 16h03
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ALIANÇA DO DESESPERO

 

-Repulsa-

 

p.43

 

 

Ou dizemos que o Brasil possui dirigentes e povo, alheios às mesquinharias sórdidas dos vendedores da Pátria, ou bradamos que a nossa coletividade e o nosso governo, são formados por indivíduos sem brio e sem moral, sem o sentimento da honra e dignidade, que deveria, apoiando-se no sofrimento e na escravidão do passado, banir da face da terra as figuras nojentas que formam a aliança do desespero: Getúlio Vargas e Luiz Carlos Prestes. O primeiro; César decadente com pretensões de democrata, trazendo no sangue o vírus do mando absoluto. Mistificador indecente e sem escrúpulos, oportunista maníaco e desbriado. Traidor dos anseios do povo e responsável pela fome e miséria da coletividade.

 

O segundo; vendedor da Pátria ao jugo do estrangeiro, traidor infame da independência do povo, agente servil da imposição soviética, aborto de uma ditadura ultramarina, feto nojento de uma doutrina sangrenta, agitador das massas mal orientadas.

 

Numa junção que bem pode ser chamada a “aliança do desespero”, vemos essas duas figuras mesquinhas e bárbaras, sentindo periclitar o pedestal de um prestígio conseguido com a propaganda e a bajulação, unirem-se num abraço de medo e rancor, frente à visão do povo, que aos poucos se aclara e se define.

 

O César decadente, empola as suas palavras, não justificando a sua união com o agente vermelho. Ataca os homens de governo, tentando fazer paralelo entre a sua imposição e a administração do povo. Mastiga em anátemas baratos, querendo lançá-los à face da democracia, os ossos que ele mesmo criou no seio deste Brasil ludibriado. Desenterra as misérias e os abusos que a sua administração bárbara plantou no nosso meio, para fazer delas um baluarte contra a liberdade, como se governo atual fosse o direto responsável. Atribui a outrem os seus erros e as suas vergonhas, plantando-se como um justo orientador do povo, que a sua ganância e a sua esquálida mente transformaram em escravo da fome e da miséria.

 

O escravo russo, comprado pelo ouro e pela imposição de Stalin, põe-se publicamente contra os interesses nacionais, defendendo a doutrina soviética em afronta à democracia brasileira. Revolta as massas operárias contra opressões inexistentes, declara-se contra o Brasil, a favor de uma ditadura estrangeira e continua vivo, manchando com a sua presença de subserviente infame de uma doutrina antagônica ao regime do direito e da liberdade o solo de nossa terra.

 

E caminham agora esses dois abutres da vergonha, tentando desgarrar ainda vivo, o corpo dessa Pátria ferida e pobre, dessa Pátria que os ouviu confiante e esperançosa e que hoje sofre o peso da sua própria ignorância, desvalida por ter ouvido a palavra de César e envergonhada por ter acreditado nas balelas do lobo vermelho.

 

A comunidade brasileira se levanta aos poucos, desanuviam-se os seus olhos e a verdade vem aparecendo nua perante a compreensão do povo. Os pedestais da imposição começam a fraquejar e surge dessa derrocada, num abraço mesquinho e vergonhoso, nascido da degeneração e do desbrio, uma união de bárbaros impunes; é a “aliança do desespero”. Somam-se as traições de Prestes com as infâmias de Vargas. A podridão e o misticismo, a imposição e a desonra com o vandalismo e a mentira, a bajulação e a covardia.

 

E o povo do Brasil contempla... e o governo do Brasil contempla... e os bárbaros marcham impunes, num híbrido e descabido abraço de fraternidade; batalhando contra os direitos da coletividade, pregando o regime da força e do servilismo, atacando a honra da Pátria e vendendo-se ao ouro estrangeiro.

 

E eu me dirijo hoje a esses dois infames. Me dirijo a você, Getúlio Dorneles Vargas, a você apologista da mais baixa e sórdida canalha, a você, canceroso maníaco da ditadura e do mando descabido. Também me dirijo a você, Luiz Carlos Preste, a você, “Cavaleiro da Esperança”; esperança dos soviéticos, esperança dos que querem importar para nós um regime de vergonha e escravidão, esperança dos traidores, esperança dos vis, esperança falha do místico deus Stálin.

 

Eu confio nos destinos do Brasil. Confio no povo da minha Pátria e quero deixar aqui para a vergonha dos traidores, esperando que a mão da justiça caia sobre esses dois fantasmas da desordem, como uma espada de vingança, sobre você e para você, “aliança do desespero”, com imenso asco, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h28
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ESPADA DE BOLÍVAR

 

-Luta-

 

p.49

 

 

Alçando-se num arrojo de bravura, como que brotada do próprio âmago da liberdade, você, espada de Bolívar, arrancou das mãos da imposição os destinos de muitos povos latino-americanos, para lançá-los no caminho do direito e do livre arbítrio.

 

Você, flama ardente da justiça, lançou o seu gume libertador sobre a cabeça da tirania, decapitando-a aos pés da liberdade, rendendo assim o seu sagrado culto ao ideal de nobres mentes.

 

Você, incompreendida batalhadora da verdade, galgou serras e atravessou fronteiras, rompeu mitos e estraçalhou cadeias. Entretanto, os mesmo pulsos ontem libertados pela sua força, se erguem de todos os lados, de todos os rincões, para aplaudir os decadentes césares de uma era de desbrio e vergonha. As mesmas cabeças, um dia erguidas pela sua luta, dobram-se outra vez, sob o estalido dos chicotes anglo-saxônicos.

 

Essa raça de servos natos e adoradores dos grilhões da escravidão, procura nas trevas de sua própria ignorância, a mão que a açoita, para nela depositar o seu beijo de agradecimento e respeito. – Tristes farrapos de pátrias despedaçadas e vendidas por públicas moedas, no mercado da ganância universal.

 

Os mesmos braços que um dia se ergueram para aplaudir a sua obra, hoje se voltam contra você, indignados com a sua intromissão, que tirou deles o direito de ser escravos e de receber na própria face o ósculo de Judas, que campeia até hoje em todas as terras, procurando onde depositar a sua baba infame e nojenta da traição e do desbrio...

 

O Remorso, em outros tempos tão forte e resoluto, dorme agora abandonado nas trevas do esquecimento, por não mais encontrar guarida nos corações dos traidores. No mundo de hoje, a traição tem outro nome, legalizado pelo interesse e a ganância. Chama-se: GOLPE POLÍTICO.

 

Nos nossos dias, “a mão que afaga é a mesma que esbofeteia”. O escravo não perdoa jamais o braço que rompeu os seus grilhões e o mendigo se esquece do lar que o acolheu, voltando um dia para atirar pedras sobre as cabeças que o ampararam. – Ignorando-se a servidão do escravo, fugimos de um bofetão.

 

Mas, por sobre todas as vergonhas e podridões morais que povoam os nossos dias, existem ainda aqueles que amam a direito e a liberdade e que pugnam pela sua vitória. Existem ainda os corações agradecidos que contemplam deste imundo lodo, a luminosidade da sua obra, heróica espada de Bolívar, seguindo, se não com o corpo, mas com o espírito e a palavra, os caminhos que você traçou nos sendeiros da verdade.

 

Quando os homens chegarem a compreender o valor e a honra do direito e a liberdade for alguma coisa mais que uma palavra, você ocupará então o posto triunfal de que é merecedora, sobre os pedestais da glória, que serão levantados com sangue da tirania.

 

Confiante nos seus desígnios, contemplando a réstia de luz de seu gume, que ainda ilumina muitos horizontes, eu quero deixar aqui, para você, símbolo da liberdade, para você, espada de Bolívar, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h21
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CIDADE DE VARGINHA

 

-Ode-

 

Engastada no coração de Minas Gerais, você, cidade de Varginha, é uma pérola magnífica, que orna com brilho e esplendor este rincão que é nosso. Pedaço impoluto deste estado que foi a terra mater de Tiradentes.

 

Lavras, como irmã de ideais e acalentadora dos mesmos sonhos de progresso, que coroam com fulgor a fronte de seus filhos, lhe traz hoje um punhado de sua arte e de sua cultura, como se os braços de nossa terra se elevassem no espaço, atravessando montes e grotas para se encontrar com os seus, num estreitado e cordial abraço de fraternidade.

 

Esta caravana que saiu de Lavras, dos bastidores da Rádio Cultura para trazer a você u’a mensagem de amizade, representa bem o que temos de melhor e de mais vibrante, nos campos da arte bem dirigida.

 

E, Lavras se levanta para dizer: - Aceita, cidade de Varginha, esta prova de amor fraternal, que parte do mais profundo da nossa sinceridade e leva, com a vibração máxima do nosso desejo, a mensagem que há de reforçar mais e mais, os laços de mútua amizade que nos une para um futuro mais compreensível e cheio de recíproca cordialidade.

 

A fusão de ideais nobres que levantou a Rádio Clube de Varginha, se Fe no mesmo cadinho em que se forjou a Rádio Cultura D’Oeste, no qual depositamos também montões de sonhos arrojados, hoje emoldurados em tocante realidade.

 

E é para você, nossa irmã de ideais, para você, cidade de Varginha, que eu hoje deixo aqui o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h16
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PETRÓLEO DO BRASIL

 

-Luta-

 

p.57

 

 

Necessário se torna ainda em nosso país, para que possamos ter confiança nos destinos da pátria brasileira, de um expurgo minucioso e bem dirigido, que venha extirpar do nosso meio as mentalidades obscuras, que se vendem ao peso do ouro estrangeiro.

 

Demonstrado está, que a lavoura em nossa terra, deixou de ser o que foi em outros tempos: a principal fonte de renda.

 

Transmudando-se do terreno agrícola para o terreno industrial, marchamos a passo de tartaruga. Vemos uma usina siderúrgica que poderia ser uma das primeiras em todo o mundo, localizada em Volta Redonda, no estado do Rio, longe do minério e do carvão, produzindo um mínimo da sua capacidade – ganância política dos bem alimentados profissionais do mando, que, ao auscultar as necessidades da nação, colocam em primeiro lugar a mão sobre o próprio estômago. Homens abdominais, inconscientes usurpadores do direito de um povo – e Volta Redonda, que poderia hoje suprir o consumo interno e exportar em alta escala, arrasta-se impotente em sua má localização.

 

Surge agora, rompendo a crosta de nossa pátria, em jorros infindos, o negro ouro líquido – mola das indústrias – petróleo para a nossa emancipação econômica. E que acontece? Já os políticos improvisados, aproveitadores de legendas e da boa fé do povo, ávidos de outro e saturados de indiferença, tentam erguer em seus braços esta última esperança e entregá-la ao estrangeiro. Míseros espoliadores de uma pátria infeliz, que vendem a sua própria honra ao ouro exterior, olhando para dentro de si mesmos e pouco se importando com a coletividade e com os destinos da terra que os alimenta, com fartura, podemos dizer, pois para isso morrem de fome os menos iluminados.

 

Já as refinarias norte-americanas entulham de ações as mãos de um punhado de vermes das altas rodas governamentais; comprando votos na Câmara dos Deputados. E que podemos nós, simples e obscuros cidadãos desta pátria vendida, fazer contra a vontade dos enfarpelados mercenários da administração, que repartem o próprio chão da pátria aos prometedores que monopolizam o direito de ter? Assunto deste quilate, não deveria encontrar guarida entre as paredes da câmara. Expulsos daquele recinto e colocados nas mãos de uma justiça de ferro, deveriam ser os desabridos vendedores da honra e da vontade do povo.

 

O petróleo brasileiro nasce em nosso próprio solo, como um grito de esperança de um moribundo que se retorce nas mãos da morte. Por que então entregá-lo ao monopólio norte-americano, perdendo assim o direito que temos e de que necessitamos mesmo, para o reerguimento econômico de nossa pátria? Um moribundo não vende o remédio que pode tornar-lhe à vida.

 

Que os brados de todos os brasileiros se unam em uma só vontade, contra as mesquinhas sanguessugas do nosso direito, para derruí-los e sufocá-los em sua ganância desmedida.

 

Com a confiança de um brasileiro que almeja para o seu solo o direito de um elevado posto no conceito universal, eu quero deixar aqui, para você, PETRÓLEO DO BRASIL, esperança de melhores dias, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h15
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PONTO DE INTERROGAÇÃO

 

- Divagação-

 

p.61

 

 

Cada dia, ao encetar a caminhada pelas alamedas terrenas, encontro na Alfa e Ômega deste trilhar, duas encruzilhadas que marcam o princípio e o fim de todas as realizações.

 

Na primeira encruzilhada, nos encontramos sempre face a face com o desconhecido, como um ser que nascido das trevas da cegueira, abrisse de repente os olhos e vislumbrasse cenários nunca imaginados e coloridos a que o manto da escuridão lhe proíbe definir.

 

Desta encruzilhada à outra, vivemos o meio termo da vida, sorrimos ao novo cenário desconhecido a dúvida que nos há de torturar além da próxima elevação que azula no horizonte. Neste trecho forçado da vida, qualquer penacho de sol que risca o azul dos céus ou qualquer raio de lua que lança no negrume da noite uma fria e luminosa réstia,transforma-se aos nossos olhos em poemas cantantes de felicidade e se avolumam e crescem nas páginas que a nossa mente ingênua reserva à fantasia e à efeméride dos sonhos.

 

E marchamos... marchamos acalentando ilusões e construindo castelos. Derrubando com a nossa irresponsabilidade, obstáculos imaginários. Criando mitos e construindo fábulas, enfim; cortamos o entrepontos da vida, por sendeiros amplos e luminosos, alegres e despreocupados, de braços com o motivo que se nos deparou no bifurcamento inicial. Entretanto, sem se saber como, assoma-se aos nossos olhos, como a bailar no espaço, confuso e amedrontador,um ponto de interrogação. É que chegamos à encruzilhada decisiva, abrindo-se em dois caminhos; um deles é claro, amplo e reto; leva até a felicidade. O outro é negro, árido e espinhoso. Nas suas curvas trevosas, sobre escarpas íngremes, bailam os gênios da desgraça e do sofrimento; este leva até à infelicidade eterna.

 

Mas... sempre a dúvida. Sempre aquele ponto de interrogação a bailar misteriosamente aos nossos olhos.

 

Tentamos a escolha, mas o motivo que até ali nos foi sorridente e fácil, abre seus braços e fecha a entrada dos sendeiros de luz e nós voltamos as nossas vistas para a escuridão das trevas e marchamos pelo trilhar miserável da desdita, com uma última lágrima de esperança a luzir nos olhos, como se brotasse de um coração sem vida e chorasse a dor do desamparo e da saudade.

 

Morto o ideal, esgotada está a fonte de todos os sonhos; rompida está a ânfora das esperanças esmagada nas mãos impiedosas do destino.

 

E que foi que nos lançou para esse lado da vida? Circunstâncias... vontade... dever... indiferença? Não! O que nos levou até ali, foi aquele fantasma misterioso que embuçado no seu negro manto, gargalha pelas gargantas da vida, como se sua voz brotasse do coração de séculos há muito apagados nas páginas da existência; um ponto de interrogação.

 

E é para você, dúvida ferrenha, para você, fantasma da desdita, para você, ponto de interrogação, que eu deixo aqui, do profundo de suas trevas, como um murmúrio medroso, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h13
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GINÁSIO N. S. APARECIDA

 

-Ode-

 

p.65

 

 

Levantado pela vontade forte de um punhado de sonhadores e assentado em fortes bases de uma realidade tocante, você, Ginásio Nossa Senhora Aparecida, vem galgando, com denodo e brilhantismo, a escada da gloria,m em demanda do pórtico triunfal da educação e do saber.

 

Trilhando os sendeiros do trabalho, olhos fitos nos horizontes do porvir, você caminha impávido e sereno, arrostando e removendo obstáculos, traçando e construindo ideais, forjando e modelando mentalidades. Sobre os seus ombros, pesa também a responsabilidade de velar pelo nome cultural da nossa terra. A você cabe burilar e mais as mentes jovens da nossa gente e dos que aportam, em busca de conhecimentos e educação. No seu aconchego, os filhos espirituais de Lavras, encontram o carinho e a amizade. Ao contacto com os seus mestres, a mocidade estuda, aprende e assimila a glória de ser útil, a vontade de vencer, o amor ao trabalho e o direito de ser livre.

 

Você toma em suas sábias mãos, como a um punhado de argila, os cérebros infantis, para, numa artística e perfeita modelagem, fazer a metamorfose do inerte em ativo, da estática em dinâmica, espargindo a luz das letras nas trevas horrendas da ignorância.

 

É como se fosse você, um peito de aço onde pulsassem centenas de corações, recebendo, cada qual por sua vez a porção de vida que lhe toca, afagados pela mesma força de músculos de bronze, na sábia palavra de seus mestres.

 

O seu caminho, embora há poucos anos trilhado, não apresenta lacunas. Por onde pisaram os seus pés, nessa caminhada resoluta ou cada ponto onde o seu nome reboou, brotaram loureiros luminosos, como se a força da natureza quisesse, numa espontânea homenagem, coroar as marcas nítidas e claras do seu caminhar altaneiro.

 

É para você, reduto da educação e da bondade, pra você, Ginásio Nossa Senhora Aparecida, como uma singela e sincera homenagem, que eu deixo aqui, com admiração, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h09
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SANTA CASA DE MISERICÓRDIA

 

-Ode-

 

p.69

 

 

Desde largos anos, ocupando o posto da glória nos pináculos brilhantes de uma existência útil e nobre, você, Santa Casa de Misericórdia, é um padrão que, através de suas atividades, plasmou e plasma congêneres por esse Brasil afora.

 

A sua vida de lutas, às vezes penosa e difícil, traçada pelas sendas de nossa terra, num halo refulgente, páginas heróicas, escritas com abnegação e carinho. Páginas que formariam um livro a que poderíamos chamar: “A Lei de Deus e a Humanidade”. Sim, porque ali o sofredor encontra, transformada em ação, a doutrina da caridade. Ali ele depara com o carinho pregado um dia pelo mundo na voz do Nazareno. Ali ele vê o nome de Deus como símbolo, estendendo os braços e ordenando que tudo seja feito à sua vontade.

 

O carinho, a abnegação, amor ao próximo, a igualdade, têm guaridas sólidas e eternas na sua vida de benfeitora. Dentro de você a humanidade se encontra com Deus e se deixa reger pelas suas leis.

 

Templo onde batalhou doutor Paulo Menicucci, arrancando das mãos da more existências úteis. Templo onde batalham os já chamados “soldados do silêncio”, enfrentando situações embaraçosas, desdobrando-se em gestos de desprendimento e sacrifício a bem da humanidade sofredora.

 

E aquele punhado de virgens desposadas de Cristo, que fechando os olhos para o mundo, numa espiritualidade magnífica, velam às cabeceiras da dor, emprestando com sua palavra, com seu carinho e com sua fé, um lenitivo poderoso. Velando corpos e preparando espíritos. Forjando dentro da própria dor a coragem para a hora final.

 

Nessa luta interminável pela vida, caminha altaneira a Santa Casa de Misericórdia. À sua frente, um batalhão de abnegados médicos, marcha de fronte alevantada, os olhos fitos no céu e o peito cheio de fé e confiança em si próprio.

 

Santa Casa de Misericórdia, templo da caridade e da fé, é para você que eu hoje quero deixar aqui, como uma ode muito humilde, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h07
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INVÁLIDO DE LAVRAS

 

-Ode-

 

Quando, sob as intempéries de noites intermináveis ou sob a canícula de infindáveis dias, tendo por abrigo a miséria, imposta pela desigualdade de direitos e por consolo a solitária dor do seu próprio sofrimento, você, inválido de Lavras, arrastando a sua miséria pelas ruas da cidade, mãos esquálidas estendidas, como se buscassem na sobra do infinito o coração da própria vida, mendigava pão e água, mendigava uma palavra de carinho ou um sorriso de fraternidade, recebendo, no lodo que a humanidade criou para você, magros óbolos, lançados ao descuido por mãos indiferentes. E como que um círculo de ferro, o premia contra a muralha imunda, que separa o direito da ociosidade e da fortuna, do direito de sofrer, chagado pela própria mão da humanidade desregrada. As esmolas, que não dadas, mas atiradas com desprezo, pareciam pútridos átomos do coração da fatalidade, queimando-lhe as magras mãos de infeliz desprezado.

 

Você, inválido de Lavras, carpindo a fome e a miséria, cobrindo de farrapos seu corpo chagado pela imposição das castas e pela indiferença de governos mal orientados, se mostrava no mais absoluto e completo abandono, levando pelos caminhos da vida, como a um arrastar de mortalhas, o seu gemido de dor, povoado de visões, onde imperava em toda a sua onipotência, a senhora de todos os momentos, cortesã de todas as classes, futuro de toda a existência, ômega de todos os ideais: a Morte. Você a vislumbrava por destras de todos os olhares. Você a chamava em todos os seus clamores. Você a buscava em todos os seus momentos e sorria para ela com o seu sorriso inocente de criança fantasista. Você chorava sobre o cadáver da própria morte, ao vê-la impotente, tombar ante a sua miséria, impondo-lhe a obrigação caluniosa da vida, sobre os espinhos árduos de uma existência sem direitos.

 

Mas, da cloaca imunda da vida, submergem sempre brancas flores, que, apesar de enraizadas no lodo, não se contagiam no miasma dos pútridos ambientes e se elevam acima da atmosfera da ignorância e da incompreensão, para mirar nas alturas de ráfagas mais puras e espíritos mais esclarecidos, o verdadeiro ideal que coroa a existência verdadeira, dizendo como Van Paasen: “O dia em que o homem, cansado de caminhar sozinho , se voltar para o seu irmão... nesse dia, somente nesse dia, a fraternidade do homem será uma realidade”.

 

Você, inválido de Lavras, encontrou e colheu nos charcos da vida, as flores diáfanas de uma existência mais certa e de uma morte mais calma. Você encontrou homens que compreenderam sua miséria e viram a premência de o assistir nos seus dias incertos e carregados de infelicidades. E você tem hoje um abrigo,um abrigo de onde a fome e a miséria, o desamparo e a incompreensão, foram banidos como vermes imundos.

 

Eu deixo aqui, não ao mendigo de Lavras, mas a você, abrigado inválido de minha terra, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 14h53
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GRUPO ESCOLAR FIRMINO COSTA

 

-Ode-

 

p.77

 

 

No mais perfeito e harmônico aconchego de carinho e dedicação, rompendo os tempos desde eras já bem distantes, fulgura no panorama educacional do estado de Minas Gerais, esse precursor do ensino primário: Grupo Escolar Firmino Costa.

 

Na retrospecção dos meus dias, eu sinto uma nostalgia imensa e uma doce saudade daquele recinto, berço de minhas primeiras letras, onde, sob a bondade de professoras amigas, formem em minha mente o valor da cooperação e o poder de um estudo bem orientado.

 

Naqueles salões amigos e sob a sombra das imensas figueiras, que em outros tempos sombreavam o grande pátio, eu passei os mais felizes dias da minha infância, ao lado de muitos outros, que hoje labutam nos diversos ramos da atividade humana, espalhados por esse Brasil afora.

 

E no perpassar dos tempos, dia após dia e ano após anos, este modelar estabelecimento, cumpre o seu destino pelos caminhos do saber, preparando a infância para as lides do futuro.

 

E o corpo de abnegadas professoras que numa sucessão contínua, sempre com a mesma bondade e o mesmo cainho, enfrentando a aridez da profissão que abraçaram, caminham altaneiras à sua frente, como bandeiras gloriosas, à frente de um batalhão brazonado nas chamas da luta.

 

Grupo Escolar Firmino Costa, templo do passado rompendo as eras do presente até a imortalidade do futuro, eu levanto aqui a minha voz de filho espiritual desta casa, para, num assomo de sinceridade, relembrando os dias felizes que em seu recinto passei,deixar gravado na medalha do merecimento, o seu nome de impoluto líder educacional e oferecer-lhe, do fundo do coração, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 14h53
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CASTRO ALVES

 

-Comemoração-

 

p.81

 

 

Ao relembrarmos o impoluto nome deste grande poeta brasileiro, ouvimos um como partir de cadeias e incendiar de ergástulas, pois, foi ele que, com sua palavra de liberdade ajudou a romper os grilhões da escravatura que assolavam o Brasil de outrora, como um gemido de dor, fundido num misto de rancor e desigualdade.

 

Como poeta popular, Castro Alves cantou o amor na sua mais cálida expressão. Poeta da mulher brasileira, na sua alegria, na sua vida social, na sua nostalgia e nos seus segredos, pintou em versos de esplêndida beleza, página como esta:

 

“No Camarote”

 

NO CAMAROTE gélida e quieta
Por que imóvel assim cravas a vista?
És o sonho de neve de um poeta?
És a estátua de pedra de um artista?


Debalde cresce de harmonia o canto...
A Moça não o escuta, além perdida!
Que amuleto prendeu-a no quebranto?
Em que céu vai boiando aquela vida?


Onde se engolfa o cisne dessa mente?
Em que vagas azuis desce cantando?
Que bafagem, meu Deus! frouxa, dormente,
Lhe acalenta o cismar no alento brando?


— Arcanjo, deusa ou pálida madona —
Quem é, surpresa, a multidão pergunta...
E ao vê-la mais gentil que Desdêmona
Como para rezar as mãos ajunta.


Odalisca talvez de haréns brilhantes,
Ela no lábio as multidões algema.
Talvez dest'alma nas visões errantes
Voa a pura miragem de um poema.


Nem um riso, entretanto, a flux luzindo
Aos delírios que esfolha a cavatina,
A boca rubra de improviso abrindo,
Esta fronte fatídica ilumina.


Pois naquela alma só se encontra neve?
Nada palpita nessa forma branca?
Pois não freme este mármore de leve?
Pois nem o canto esta friez lhe arranca?


Ai! Ninguém fie dessa calma estranha
— Êxtase santo de harmonias cheio
— Guarda a lava a petrina da montanha,
Guarda Vesúvios o palor de um seio.


Oh! ser a idéia dessa fronte pura,
Ser o desejo desse lábio quente,
Fora o meu sonho de ideal ventura,
Fora o delírio de minh'alma ardente.


Feliz quem possa na ansiedade louca
Esta bela mulher prender nos braços...
Beber o mel na rosa desta boca,
Beijar-lhe os pés... quando beijar-lhe os passos!

 

 

...................

...................

...................



Escrito por Elcídio Grandi às 13h58
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Antônio de Castro Alves nasceu a 14 de março de 1847, no lugar denominado Curralinho, numa fazenda chamada “Cabaceiros” e hoje desaparecida, no estado da Bahia.

 

Seus pais, Dr. Antônio José Alves e d. Clélia de Castro Alves

 

Antônio de Castro Alves, conhecido familiarmente pelo apelido de “Cecéu”, estudou preparatórios no Ginásio Baiano e matriculou-se em 1864 na Faculdade de Direito de Recife, tendo-se passado em 1868 para a de São Paulo, mas não logrou concluir o curso jurídico, porque em novembro do mesmo ano, tendo-se ferido desastrosamente num pé, quando caçava, foi preciso amputar-se-lho. Desta data em diante, Castro Alves tornou-se esquivo, fugindo de suas próprias amizades e escondendo com vergonha aquele aleijão que o obrigava a usar muletas. Sobreviveu pouco depois a doença pulmonar que o tombaria para sempre, no clímax de sua mocidade.

 

O grande poeta amou com delírio a Eugênia Câmara, entretanto, não quis unir a sua sorte de tísico à vida e moça e feliz desta que era todo o seu ser. E escreveu-lhe, após o seu último encontro, uma página que mostra o mais fundo do coração e a agonia que ia n’alma:

 

“Adeus”

 

“Viste-me... E creste um momento

Qu’inda me tinhas amor!...

Pobre amiga! Era lembrança,

Era saudade... era dor!”

 

“Obrigado! Mas na terra

Tudo entre nós se acabou!

Adeus!... É o Adeus extremo...

A hora extrema soou.”

 

“Quis te odiar, não pude. – Quis na terra

Encontrar outro amor. – Foi-me impossível.

Então bendisse a Deus que no meu peito

Pôs o germe cruel de mal terrível.”

 

“Sinto que vou morrer! Posso portanto

A verdade dizer-te santa e nua:

Não quero mais teu amor! Porém minh’alma

Aqui, além, mais longe, é sempre tua.”

 

Eugênia respondeu-lhe em quatorze estrofes, onde mostra o desespero da amante. Escusa-se,promete, conforta e espera e com o coração torturado, atingindo a própria perfeição do poeta, termina assim os seus versos:

 

“Falas-me em risos! A mim!

De afeições descrente e nua!...

Pode-se encontrar outra alma

Depois de reinar na tua?!!!”

 

................

...............

.................

 

Castro Alves é um dos criadores da chamada escola condoreira. É o cantor épico dos escravos e o brilhante lírico que enorme influência exerceu entre os moços do seu tempo.

 

Quando ainda nenhum partido havia hasteado a bandeira da abolição, Castro Alves era já o nosso poeta social, liberal e abolicionista, culminando-se em páginas forjadas com sinceridade nascidas de um ódio cego à escravatura.

 

O nome deste gênio da poesia brasileira, fulgura como uma estrela nos céus do Brasil, em épicas páginas de grandeza e patriotismo.



Escrito por Elcídio Grandi às 13h57
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Em “Navio Negreiro” Castro Alves chega ao clímax da sua indignação e aos píncaros de seu lirismo enternecedor:

 

I

'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço 
Brinca o luar — dourada borboleta; 
E as vagas após ele correm... cansam 
Como turba de infantes inquieta. 

'Stamos em pleno mar... Do firmamento 
Os astros saltam como espumas de ouro... 
O mar em troca acende as ardentias, 
— Constelações do líquido tesouro... 

'Stamos em pleno mar... Dois infinitos 
Ali se estreitam num abraço insano, 
Azuis, dourados, plácidos, sublimes... 
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?... 

'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas 
Ao quente arfar das virações marinhas, 
Veleiro brigue corre à flor dos mares, 
Como roçam na vaga as andorinhas... 

Donde vem? onde vai?  Das naus errantes 
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço? 
Neste saara os corcéis o pó levantam,  
Galopam, voam, mas não deixam traço. 

Bem feliz quem ali pode nest'hora 
Sentir deste painel a majestade! 
Embaixo — o mar em cima — o firmamento... 
E no mar e no céu — a imensidade! 

Oh! que doce harmonia traz-me a brisa! 
Que música suave ao longe soa! 
Meu Deus! como é sublime um canto ardente 
Pelas vagas sem fim boiando à toa! 

Homens do mar! ó rudes marinheiros, 
Tostados pelo sol dos quatro mundos! 
Crianças que a procela acalentara 
No berço destes pélagos profundos! 

Esperai! esperai! deixai que eu beba 
Esta selvagem, livre poesia 
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa, 
E o vento, que nas cordas assobia... 
.......................................................... 

Por que foges assim, barco ligeiro? 
Por que foges do pávido poeta? 
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira 
Que semelha no mar — doudo cometa! 

Albatroz!  Albatroz! águia do oceano, 
Tu que dormes das nuvens entre as gazas, 
Sacode as penas, Leviathan do espaço, 
Albatroz!  Albatroz! dá-me estas asas. 


Escrito por Elcídio Grandi às 13h56
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II

     
Que importa do nauta o berço, 
Donde é filho, qual seu lar? 
Ama a cadência do verso 
Que lhe ensina o velho mar! 
Cantai! que a morte é divina! 
Resvala o brigue à bolina 
Como golfinho veloz. 
Presa ao mastro da mezena 
Saudosa bandeira acena 
As vagas que deixa após. 

Do Espanhol as cantilenas 
Requebradas de langor, 
Lembram as moças morenas, 
As andaluzas em flor! 
Da Itália o filho indolente 
Canta Veneza dormente, 
— Terra de amor e traição, 
Ou do golfo no regaço 
Relembra os versos de Tasso, 
Junto às lavas do vulcão! 

O Inglês — marinheiro frio, 
Que ao nascer no mar se achou, 
(Porque a Inglaterra é um navio, 
Que Deus na Mancha ancorou), 
Rijo entoa pátrias glórias, 
Lembrando, orgulhoso, histórias 
De Nelson e de Aboukir.. . 
O Francês — predestinado — 
Canta os louros do passado 
E os loureiros do porvir! 

Os marinheiros Helenos, 
Que a vaga jônia criou, 
Belos piratas morenos 
Do mar que Ulisses cortou, 
Homens que Fídias talhara, 
Vão cantando em noite clara 
Versos que Homero gemeu ... 
Nautas de todas as plagas, 
Vós sabeis achar nas vagas 
As melodias do céu! ... 
 

III

     
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano! 
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano 
Como o teu mergulhar no brigue voador! 
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras! 
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ... 
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror! 


Escrito por Elcídio Grandi às 13h56
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IV

      
Era um sonho dantesco... o tombadilho  
Que das luzernas avermelha o brilho. 
Em sangue a se banhar. 
Tinir de ferros... estalar de açoite...  
Legiões de homens negros como a noite, 
Horrendos a dançar... 

Negras mulheres, suspendendo às tetas  
Magras crianças, cujas bocas pretas  
Rega o sangue das mães:  
Outras moças, mas nuas e espantadas,  
No turbilhão de espectros arrastadas, 
Em ânsia e mágoa vãs! 

E ri-se a orquestra irônica, estridente... 
E da ronda fantástica a serpente  
Faz doudas espirais ... 
Se o velho arqueja, se no chão resvala,  
Ouvem-se gritos... o chicote estala. 
E voam mais e mais... 

Presa nos elos de uma só cadeia,  
A multidão faminta cambaleia, 
E chora e dança ali! 
Um de raiva delira, outro enlouquece,  
Outro, que martírios embrutece, 
Cantando, geme e ri! 

No entanto o capitão manda a manobra, 
E após fitando o céu que se desdobra, 
Tão puro sobre o mar, 
Diz do fumo entre os densos nevoeiros: 
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros! 
Fazei-os mais dançar!..." 

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . . 
E da ronda fantástica a serpente 
          Faz doudas espirais... 
Qual um sonho dantesco as sombras voam!... 
Gritos, ais, maldições, preces ressoam! 
          E ri-se Satanás!...  


Escrito por Elcídio Grandi às 13h21
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V

     
Senhor Deus dos desgraçados! 
Dizei-me vós, Senhor Deus! 
Se é loucura... se é verdade 
Tanto horror perante os céus?! 
Ó mar, por que não apagas 
Co'a esponja de tuas vagas 
De teu manto este borrão?... 
Astros! noites! tempestades! 
Rolai das imensidades! 
Varrei os mares, tufão! 

Quem são estes desgraçados 
Que não encontram em vós 
Mais que o rir calmo da turba 
Que excita a fúria do algoz? 
Quem são?   Se a estrela se cala, 
Se a vaga à pressa resvala 
Como um cúmplice fugaz, 
Perante a noite confusa... 
Dize-o tu, severa Musa, 
Musa libérrima, audaz!... 

São os filhos do deserto, 
Onde a terra esposa a luz. 
Onde vive em campo aberto 
A tribo dos homens nus... 
São os guerreiros ousados 
Que com os tigres mosqueados 
Combatem na solidão. 
Ontem simples, fortes, bravos. 
Hoje míseros escravos, 
Sem luz, sem ar, sem razão. . . 

São mulheres desgraçadas, 
Como Agar o foi também. 
Que sedentas, alquebradas, 
De longe... bem longe vêm... 
Trazendo com tíbios passos, 
Filhos e algemas nos braços, 
N'alma — lágrimas e fel... 
Como Agar sofrendo tanto, 
Que nem o leite de pranto 
Têm que dar para Ismael. 

Lá nas areias infindas, 
Das palmeiras no país, 
Nasceram crianças lindas, 
Viveram moças gentis... 
Passa um dia a caravana, 
Quando a virgem na cabana 
Cisma da noite nos véus ... 
... Adeus, ó choça do monte, 
... Adeus, palmeiras da fonte!... 
... Adeus, amores... adeus!... 

Depois, o areal extenso... 
Depois, o oceano de pó. 
Depois no horizonte imenso 
Desertos... desertos só... 
E a fome, o cansaço, a sede... 
Ai! quanto infeliz que cede, 
E cai p'ra não mais s'erguer!... 
Vaga um lugar na cadeia, 
Mas o chacal sobre a areia 
Acha um corpo que roer. 

Ontem a Serra Leoa, 
A guerra, a caça ao leão, 
O sono dormido à toa 
Sob as tendas d'amplidão! 
Hoje... o porão negro, fundo, 
Infecto, apertado, imundo, 
Tendo a peste por jaguar... 
E o sono sempre cortado 
Pelo arranco de um finado, 
E o baque de um corpo ao mar... 

Ontem plena liberdade, 
A vontade por poder... 
Hoje... cúm'lo de maldade, 
Nem são livres p'ra morrer. . 
Prende-os a mesma corrente 
— Férrea, lúgubre serpente — 
Nas roscas da escravidão. 
E assim zombando da morte, 
Dança a lúgubre coorte 
Ao som do açoute... Irrisão!... 

Senhor Deus dos desgraçados! 
Dizei-me vós, Senhor Deus, 
Se eu deliro... ou se é verdade 
Tanto horror perante os céus?!... 
Ó mar, por que não apagas 
Co'a esponja de tuas vagas 
Do teu manto este borrão? 
Astros! noites! tempestades! 
Rolai das imensidades! 
Varrei os mares, tufão! ... 


Escrito por Elcídio Grandi às 13h21
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VI

        
Existe um povo que a bandeira empresta 
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!... 
E deixa-a transformar-se nessa festa 
Em manto impuro de bacante fria!... 
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, 
Que impudente na gávea tripudia? 
Silêncio.  Musa... chora, e chora tanto 
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ... 

Auriverde pendão de minha terra, 
Que a brisa do Brasil beija e balança, 
Estandarte que a luz do sol encerra 
E as promessas divinas da esperança... 
Tu que, da liberdade após a guerra, 
Foste hasteado dos heróis na lança 
Antes te houvessem roto na batalha, 
Que servires a um povo de mortalha!... 

Fatalidade atroz que a mente esmaga! 
Extingue nesta hora o brigue imundo 
O trilho que Colombo abriu nas vagas, 
Como um íris no pélago profundo! 
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga 
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo! 
Andrada! arranca esse pendão dos ares! 
Colombo! fecha a porta dos teus mares!

 

6 de julho de 1871... um pesado manto de luto cobre os céus do Brasil. Lágrimas dolorosas queimam os olhos de negros escravos agradecidos.

 

A esquálida mão da morte colhera e levara consigo para a eternidade, o poeta moço dos escravos. Morria em São Salvador da Bahia Antônio de Castro Alves.

 

Entretanto, o seu luminoso espírito, vivendo dentro de suas obras, tornou-se imortal através das eras e dos tempos e Castro Alves vive ainda hoje e viverá para todo o sempre na lembrança dos brasileiros que amam a liberdade e lutam para uma futura grandeza do Brasil.

 

Cem anos faz hoje que nasceu na fazendola de “Cabaceiros”, Antônio de Castro Alves.

 

Como um pequeno átomo desta célula imensa que é o Brasil, a Rádio Cultura D’Oeste, se alia às homenagens ao centenário do nosso grande poeta abolicionista.

 

E eu, humildemente envio a você, marco brilhante da poesia nacional, mente vibrátil dos anseios de liberdade, com a singeleza de uma flor terrena, para os jardins espirituais do além, numa mensagem de admiração e respeito, Antônio de Castro Alves, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 13h20
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NEWTON TEIXEIRA CÂMARA

 

-Cumprimento-

 

p.97

 

 

Lavras tem recebido de braços abertos os viandantes que aqui aportam, tornando-se filhos espirituais desta terra e plantando em seu seio mais um lar, de onde brotam, aos eflúvios da mentalidade lavrense, o interesse pelas nossas grandes e majestosas causas.

 

Nossa terra de levanta hoje num preito sincero de admiração, para cumprimentar um filho seu, espiritualmente seu, que hoje colhe para o se lado mais um punhado de vida, num caminhar altaneiro e produtivo. Cumprimentamos hoje a pessoa simpática e amiga de Newton Teixeira Câmara. É mais um dos aniversários que fazem com que , todos os lavrense que conhecem e sabem dar valor a quem tem, se ergam numa palavra uníssona de parabéns ao amigo certo e sincero de toda Lavras – Newton Teixeira Câmara.

 

Abandonar nos caminhos trilhados o bairrismo de novelistas de salão, para trabalhar por um rincão que não é seu, mas que o seu coração elegeu, é virtude dos que compreendem a existência e batalham por uma justa causa, não fitando o terreno no qual apóia os pés.

 

Newton Teixeira Câmara, é desses homens que passam pela vida, deixando atrás de um verdadeiro jardim, florido de amizades e perfumado de sinceridade.

 

Na franqueza do seu sorriso nós vemos estampado o temperamento de um menino-homem; bem-humorado e alegre.

 

Na contemplação dos seus atos, enxergamos a sobriedade e a probidade de um homem que sabe, altaneiramente, conduzir-se pelas encruzilhadas da vida.

 

Colaborador das grandes causas e dos justos ideais, Newton Teixeira Câmara, tem sempre uma palavra de estímulo e um aplauso de consentimento a tudo o que represente verdade e progresso.

 

Quem poderia hoje, sem a reprovação de toda a nossa terra, se levantar para dizer que o Newton não é um verdadeiro lavrense? Quem poderia deixar de apontar nele, gestos soberbos de quem conhece o valor do trabalho e da cooperação? Lavras se plantou no mais recôndito refolho do seu coração, fazendo com que ele batalhasse ao nosso lado, sentisse as nossas necessidades e os nossos anseios. Pulsasse de entusiasmo frente às nossas vitórias e lastimasse as nossas derrotas.

 

Tomando mesmo parte ativa frente aos ideais nobres do nosso povo, esse amigo certo de um porvir de glórias, ergue em seus braços os estandartes da nossa luta, num caminhar altaneiro e impoluto, removendo obstáculos e quebrando barricadas, em demanda da verdade e do triunfo.

 

Como presidente da Associação Olímpica de Lavras, Newton Teixeira Câmara se desdobra com arrojo de um titã, na resolução de seus problemas, dentro de uma modéstia inconcebível.

 

A Rádio Cultura D’Oeste, como verdadeira amiga e admiradora deste lavrense de coração, junta a sua voz ao júbilo de toda a Lavras, enviando também os seus votos de felicidades.

Eu aqui do meu recanto, envio a você, Newton, com a minha sinceridade amiga, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h53
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PROFESSOR JOSÉ LUIZ DE MESQUITA

 

-Mérito-

 

p.101

 

 

 

A fusão de muitas figuras de retórica e a junção de muitos pseudo-mestres, ornamentados pela pompa fictícia de aparências enganadoras, não alcançaria nunca o brilho e a refulgência do seu desprendimento, da sua cultura acobertados sob a modéstia de um professor de operários.

 

José Luiz de Mesquita, mestre dos trabalhadores, que, não encontrando sob a luz do sol alguns minutos a dedicar aos livros, procuram na escola noturna as páginas orientadoras das primeiras letras. A você, batalhador resoluto da educação e da cultura, da bondade e do direito, nós nos descobrimos numa saudação respeitos e cheia de admiração.

 

Através dos dias, meses e anos, nós vislumbramos a sua figura simples e sincera, na labuta constante, enfrentando obstáculos e quebrando dificuldades, sempre com o mesmo sorriso bondoso e paternal, na conduta dos seus discípulos de mãos calejadas no trabalho cotidiano, através dos caminhos das letras, que levam até ao sol da vida àqueles que se debatem nas trevas da ignorância.

 

Professor José Luiz de Mesquita, mais que professor, mestre do trabalho, guia da bondade, timoneiro dos operários, bússola dos deserdados de tempo para o manuseio de um livro, aqui está a homenagem simples e sincera desta emissora que surgiu da vontade do povo para a sua própria utilidade.

 

Professor José Luiz de Mesquita, aqui fica, com admiração e respeito, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h51
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POVO DE RIBEIRÃO VERMELHO

 

-Luta-

 

p.105

 

 

Pisando o solo de minha terra em seu próprio solo, Ribeirão Vermelho, eu sinto o aconchego amigo e leal de um povo livre e trabalhador, que pensa e opina, colhendo nos sendeiros da luta cotidiana os louros refulgentes de um labor são e construtivo.

 

Falar de voe, povo de Ribeirão Vermelho, é falar do operário brasileiro, que labuta pela grandeza desta terra, que sendo nossa não nos pertence. É falar da classe base do Brasil, que entrega o suor de seu rosto pelo pão de cada dia, sem as vistas do reconhecimento governamental. É falar de uma classe nobre e esquecida, heróica e desamparada. É falar desse batalhão de retaguarda, que peleja uma guerra branca, a favor da nossa emancipação, recebendo pelo seu trabalho, pela sua luta, o silêncio e a ingratidão.

 

Falar do operário brasileiro, é tocar nas pedras do alicerce pelas quais os potentados açambarcadores galgam os degraus da fama efêmera e da riqueza letárgica. O fruto do seu trabalho, soldado do silêncio, é recolhido pelas mãos inescrupulosas dos monopolizadores do direito, que abarrotam arcas e levantam nomes, constroem castelos e desconhecem a luta.

 

Vivemos numa época, povo de Ribeirão Vermelho, em que, cada um dos calos nas mãos dos operários, significa um prato a mais nos banquetes da nação. Cada gota de suor, vertida de seu rosto, é mais uma taça de champagne erguida nas mãos dos bajuladores profissionais.

 

Trazendo aqui hoje a homenagem de Lavras, eu trago também a minha palavra, embora impotente e falha, mas saturada do mais ferrenho amor à liberdade e transbordante da mais sincera franqueza.

 

Dentro desta luta incompreendida a favor do direito, eu atravesso os mitos da vida e os preconceitos sociais, procurando no aconchego dos corações sonhadores, um pouco para a minha jornada infrutífera, uma palavra de ânimo para o meu espírito solitário, que batalha com denodo, embora fraco, a favor da liberdade.

 

Eu espero, povo de Ribeirão Vermelho, encontrar no refolho do seu coração a acolhida a essa campanha inglória que abracei e pela qual eu arrosto a perseguição dos traidores da verdade e sofro a dilapidação infame dos difamadores irresponsáveis. Os ataques até agora partidos contra mim, têm atingido somente as minhas costas, pois eles são brotados das trevas da ignorância e da covardia e falta-lhes brio e decência para aparecer à luz clara da verdade e pelejar frente a frente com os brados da justiça e da liberdade.

 

Eu crio no seu espírito de nobre batalhador, povo heróico de Ribeirão Vermelho e quero deixar aqui hoje, para você, como símbolo de minha bandeira amiga e sincera, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h50
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COLÉGIO MUNICPAL DE LAVRAS

 

-Ode-

 

p.109

 

 

Como um buril incessante que girando nas mãos da arte, transformasse em jóias magníficas as mais disformes matérias, você, Colégio Municipal de Lavras, empunhado pelas sábias mãos do ensino, trabalha as mentes obscurecidas pela ignorância, numa completa e segura metamorfose, que culmina em jorros de luz e de saber.

 

Você rasga para os que vêm ao seu seio, os sendeiros claros do porvir.

 

Você marca com indelével selo de confiança, os espíritos que vindo buscar conhecimentos, encontram mais que isto; encontram o motivo, a vontade e o “porquê” da vida. Encontram a fé, e a convicção espiritual, que levam sempre até às altitudes máximas da glória, onde fulgem as coroas de todos os triunfos, incendiadas nos sóis de todos os ideais.

 

Esta “Porta da Oportunidade”, que você abre a todo aquele que tem sede de saber, é como os braços abertos de um oásis no coração do deserto, oferecendo ao viandante desnorteado, a sombra amiga do repouso e a água fresca que mitiga a sua cruciante sede.

 

Eu mesmo, volvo os meus olhos para você, Colégio Municipal de Lavras, com respeito e gratidão, numa análise retrospectiva dos meus dias, vividos em seu seio amigo, onde não faltam os carinhos de um lar ausente e a paciência de u’a mãe distante.

 

No aconchego de seus bondosos mestres, eu colhi para os meus dias, presentes e futuros, os faróis possantes que me abrem todos os sendeiros, mostrando-me todos os obstáculos e ensinando-me como afastá-los com honra e consciência, alargando assim os meus caminhos para um futuro mais certo e mais fértil, mais nobre e mais produtivo.

 

Os adolescentes, que deixando o seio de sua família, atravessam a extensão imensa deste Brasil enorme, encontram em você, sob a sombra de suas árvores, nas palavras de seu seus mestres, no carinho de seu convívio, a compensação e o amor o seu lema: “Votada à glória de Deus e ao progresso humano”.

 

Pairando sobre sua cabeça, uma alma imortal, guia o seu destino: Dr. Samuel Rea Gammon.

 

E é para você, templo do saber, para você, braço forte que me abriu os caminhos da vida, para você, Colégio Municipal de Lavras, que eu deixo aqui, como um estandarte do meu agradecimento e da minha admiração, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h49
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INDUSTRIAL LAVRENSE

 

-Mérito-

 

p.113

 

 

Másculo braço que se erguendo, como que rompendo o peito do infinito, lançasse além do azul dolente e diáfano dos céus, um punhado de fumaça, salpicada de miríades luminosas de carvão e derramasse sobre as encostas desse rincão um sol, líquido e refulgente, fundido nos altos fornos do progresso futuro.

 

Pulsos de aço que rasgando trocos virgens de matas intocadas, transformam a rude e primitiva natura em obras de arte, buriladas nas mãos mecânicas, que entoam no seu rodar constante, o hino do trabalho, coroado pelos lauréis sudorosos de um porvir mais certo.

 

Preguiçosas moendas que gemem, arrancando a doce seiva de canaviais imensos baloiçantes à brisa de tardes outonais, enquanto a bocarra insaciável de fornalhas famintas, devoram em chamas de fúlgido cobre carradas de ressequida lenha, para a metamorfose milagrosa do baço caldo em cristalino açúcar.

 

Rodas imensas, rompendo com a aurora e cantando sempre, dias após dia e noite após noite, desfiram capulhos alvos de algodão, transformando em tecidos multicores um tênue fruto, desabrochado como auréola de neve, corando as frondes verdes da natureza.

 

E no alto, no centro e nos cantos. Serrando, fundindo ou moldando, tecendo ou pintando, trabalha a indústria lavrense, vitoriosa já na sua labuta incessante.

 

É para a indústria desta terra, para você, industrial lavrense, que eu deixo aqui o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h48
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SÍLVIO MOREIRA

 

-Mérito-

 

p.117

 

Não sei como direi: Sílvio Moreira ou Amaral Sobrinho ou simplesmente Bi, pois existe ainda um Lavrense da Silva, que também designa a mesma e inconfundível pessoa do cronista máximo da “Terra dos Ipês e das Escolas”, o idealista fecundo da “Atenas Mineira”, o historiador esforçado de Santana das Lavras do Funil.

 

Como um revoar de gaivotas, as suas palavras de saudação têm a melodia e a cadência de um bando de tangarás, cumprimentando o despertar de auroras outonais.

 

Como um altear de falcões, os seus dizeres em defesa da coletividade têm a têmpera de uma espada, forjada no coração do próprio ideal, batalhando com denodo e desassombro por tudo o que é justo e a favor de tudo o que é direito.

 

Como um recolher tristonho de pombas nas tardes moribundas, as suas frases de consolo são bálsamos poderosos aos corações sofredores. São palavras diáfanas como um reflexo lunar numa lagoa adormecida. São carinhos sutis como o afago da brisa na agreste face da natura.

 

E é sempre o mesmo Bi. O mesmo Sílvio Moreira, que da Estação ao Cruzeiro, que do Cascalho à Chacrinha; nos centros ou nos subúrbio, saúda com o mesmo sorriso, o negro trabalhador, os coronéis proprietários, a velha lavadeira e o estudante feliz. O mendigo miserável e a infância sagaz, com mesmo “ei” prazenteiro, que faz de sua pessoa o perpetuador resoluto dos nossos ancestrais.

 

Oh! Mais lavrense de todos os lavrenses. Oh! Grande e sincero Bi, aqui fica também o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h13
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COOPERADOR ANÔNIMO DA CULTURA DO OESTE

 

-Mérito-

 

P121

 

 

Escondido pelas muralhas indevassáveis de uma modéstia sem par, você, anônimo cooperador deste ideal de lutas, liga à corrente de nossa vontade mais um elo de força e de trabalho, que, unido à inquebrantável cadeia desta realização, nos ajuda a arrostar a responsabilidade deste empreendimento, pelas tortuosidades e incerteza de um presente árduo, até à luminosa certeza de um porvir de glórias; glórias para Lavras, glórias para Minas, glórias para o Brasil!

 

Existem anônimos que se cobrem com o mando da covardia, embuçados na negra noite do despeito, para deste covil ignóbil lançar as suas destrutivas críticas de incapazes para as lides da vida, contra os empreendimentos de vulto, a que, suas garras e anátemas impotentes não conseguem bloquear, pois a águia que singra os espaços da liberdade, ignora os uivos servis dos batráquios imundos, que se arrastam no lodo da escravidão e de incompetência.

 

Você, anônimo cooperador, é o lado oposto desta página putrefata. Você se oculta no purpúreo manto da modéstia, dentro da luminosidade refulgente da resignação, para, deste cume oferecer o seu braço e o seu apoio de esclarecido amante do progresso de sua terra, aos arrojados sonhos dos que trabalham por um futuro melhor.

 

Ao anônimo destrutor a nossa indiferença. A você a nossa admiração.

 

Ao covarde deserdado de capacidade o nosso desprezo. A você os nossos agradecimentos.

 

A sua modéstia altiva e nobre, jamais será ferida pela indiscrição ou pela curiosidade.

 

O seu nome não foi feito para os alardes da pompa fictícia, mas sim para o silêncio das realizações concretas.

 

Aqui vai, anônimo cooperador da Cultura D’Oeste, para você, um título de benemérito desta empresa, gravado com o cumprimento máximo, mais sincero e mais cordial de nossa terra. Com admiração e agradecimento, aqui deixo o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h12
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ZAZÁ VILELA MENICUCCI

 

- Mérito –

 

p. 123

 

 

Artista, é todo aquele que ao contacto com os eflúvios da arte pura e construtiva, sente vibrar em seu ser o desejo de cooperar e de fornecer um átomo que seja para o engrandecimento e glória de um ideal.

 

A visão clara e a compreensão perfeita, são os sigmas que brotam do próprio coração da arte, para bordar os nobres atos dos verdadeiros artistas.

 

Artista é todo aquele que cria, que produz, que inspira ou que alimenta, até o possível, as chamas de ideais de construção, de alevantamento e de progresso.

 

Os discípulos do Parnaso, tangendo as suas liras, transformam a banal conversação cotidiana e a existência incerta do habitante terreno; sua obra, suas lutas, suas fraquezas, em hinos ritmados, onde cantam as vozes de todas as melodias pela garganta de todas as eras.

 

O mágico buril da espiritualização, cortando e moldando o granito material da vida, faz dele a sublime apoteose de auroras resplandecentes.

 

O pintor, cobrindo tosca tela com multicores camadas de tinta, transporta para a imortalidade as faces da própria vida, numa concepção que desconhece fronteiras, alargando a sua palheta, buscando as lágrimas da miséria e do desamparo, o riso da indiferença e a gargalhada feliz, o gemido do sofrimento e o brado de vitória, na perpetuação concreta de obras indescritíveis.

 

O músico que, tangendo as cordas de um violino ou vibrando as telas de um plano, nos eleva ao mais alto pináculo da emoção, de onde se olha a existência pelos puros prismas espirituais, que têm o seu nascedouro nas entranhas da própria divindade, traduz em ondas vibrantes, nas mãos da fantasia, a vida de um mundo desigual.

 

E é sempre o artista, sempre o criador e o idealista que manejando um pincel ou tangendo um instrumento musical, entalhando uma dura rocha ou compondo líricos versos, sente de alguma maneira o bafejo de um ideal e se oferece com o desprendimento e desinteresse dos espíritos luminosos, para cooperar sem ambição própria, no alevantamento e progresso futuro desse irmão de seus próprios sentimentos, na mais perfeita e integral afinidade de pensamento e vontade.

 

E você, Zazá, como exímia e inspirada artista, filha desta terra que é muito nossa, sentiu a emoção que a todos nós assalta, de manter e levantar no coração da nossa Lavras, uma fonte de cultura para a grandeza de um futuro não muito longínquo. E a sua cooperação, espontânea e bondosa se fez mostrar, transbordante de boa vontade, em gestos que dispensam qualquer citação.

 

Criado nesta emissora, que nasceu do povo para o próprio interesse da coletividade, temos o livro da cooperação, onde escrevemos com letras indeléveis, os nomes daqueles que nos sabem compreender. E o seu nome entra hoje para estas páginas, Zazá Vilela Menicucci, como um diadema de ouro, forjado no coração do próprio merecimento, encimado com o cumprimento máximo e mais cordial de nossa terra; aqui fica para você, sublime artista, com a minha admiração, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h10
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MEU ESPÍRITO VAZIO

 

- Divagação –

 

p.129

 

 

Dias existem em que a nossa mente se transborda em motivos diverso e não sabemos, sobre qual deles escrever alguma coisa. Os assuntos brotam aos borbotões, deixando-nos atordoados e titubeantes; indecisos na escolha do melhor ou interessante, mais atual ou mais rico de recursos. Entretanto, dias existem também, que nos sentimos vazios e ausentes, isolados em um verdadeiro deserto, buscando um oásis intelectual e nem miragens se nos apresentam. Aí então divagamos dentro de nós mesmo, tentando, no estudo psíquico da autocontemplação, arrancar alguma coisa de útil e interessante, de atual e inédito, entretanto, só conseguimos ver, chagado pelos caminhos da vida, o nosso espírito,ora sequioso de glórias, lutando por uma réstia de sol a mais, ora desanimado e triste, indiferente à sua própria sorte, desinteressado de sua própria existência.

 

Por entre o espocar de soluços e o derramar de lágrimas deste auto-estudo espiritual, ouvimos às vezes um riso de mofa ou uma gargalhada irônica.

 

É o imaterial que zomba de seus próprios sonhos, como o canto de um escravo, que contemplando as cadeias que o tolhem, que o ferem e matam. Sonha com a grandeza de um porvir impossível e derrama sobre os grilhões da impossibilidade o seu pranto de servo, semeado de impropérios e frutificado de dor, na ânsia do ódio e da miséria.

 

Contemplamos no espelho de nós mesmos, esse desigual combate entre o cérebro e o espírito. O primeiro, visionário e resoluto, pronto a enfrentar obstáculos, quebrar mitos e fantasias. O segundo realista e medroso, dobrando-se num misto de dor e respeito, ante o fantasma do passado, agrilhoado às correntes de sua própria existência, sofrendo a dor de sua própria vida, na incompreensão mundana, onde o ouro compra e arrasta a mortalha da degeneração universal.

 

E, nessas divagações dentro de mim mesmo, eu deixo aqui, para você e sua falta de assuntos, meu espírito vazio, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h09
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DR. PAULO MENICUCCI

 

- Mérito –

 

(Homenagem póstuma – Síntese Biográfica)

 

 

O dia amanhecera claro, com rajadas quentes de ventos outonais, somente algumas nuvens de um gris tristonho, toldavam a turquesa dos céus cobaltinos. A cidade acordara, como sempre, no rumor das lides cotidianas.

 

Rompendo o éter, esparzindo-se pelos sendeiros deste rincão, um sol de níquel brunido, banhava as poeirentas ruas, de onde o sopre quente da brisa levantava em rendas de ouro, finíssimo pó. Tudo normal. Mais um dia de trabalhos, de atividades, de... mas.. que é isto?! Não, não pode ser! Não é possível! Um rumor, como que brotado com medo, corria de boca em boca, de coração em coração. Primeiro um ledo sussurro, murmurando com temor, que num crescendo e crescendo, culminou num grito de dor e desconsolo, como se se debruçasse sobre Lavras todas as iras da divindade, pesando como um véu de ébano, encharcado nas lágrimas de todos os sofrimentos. Era a fatídica manhã de 11 de fevereiro de 1946. Um apóstolo da medicina cerrava para sempre os olhos, em demanda de uma fulgurante eternidade. Morrera o Dr. Paulo Menicucci.

 

Através das lágrimas que corriam em bagas de todos os olhares, o povo vislumbrou a sua imagem bondosa, que um dia antes, como que perscrutando a aproximação da morte, saíra de casa para assistir à sua derradeira missa e, logo após, percorrer de automóvel todos os recantos da cidade, como se quisesse fixar em sua retina e levar consigo para a eternidade, as últimas impressões desta terra que lhe foi cara. Sim, era dolorosa, dolorosa e verdadeira notícia; morrera o Dr. Paulo Menicucci.

 

 

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Dr. Paulo Menicucci... uma vida de lutas, devotada ao bem da humanidade.

 

Seu berço de nascimento, na eterna Itália, terra da arte e da ciência, foi a cidade de Luca...

 

... 1º de outubro de 1885... um raio de luz, saturado de felicidades, iluminava os sorrisos de Pedro Menicucci e D. Victória Menicucci. O seu recebia mais um adorno. Um forte rebento nascera, nesse dia – Paulo Menicucci.

 

Em 1891, em companhia de seus pais, segui para o Brasil, tendo chegado em Lavras no dia 29 de junho do mesmo ano. Aqui abriu pela primeira vez uma cartilha, aqui aprendeu suas primeiras letras, tendo como professor o Sr. Evaristo de Araújo. Logo após, encontrou em D. Carlota Kemper a mestra a quem amaria até a morte. No Caraça, fez o seu curso ginasial. Já apaixonado pelos livros, completou essa etapa com distinção. Levado pela sua extraordinária inteligência, superando os próprios compêndios que serviam de guia, lecionava já no Liceu de Petrópolis.

 

O pendor pela medicina, marcara desde cedo o temperamento deste estudioso mancebo. Ingressou então na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde colou grau no dia 28 de dezembro de 1917. Como tema de sua tese, que valeu distinção e aplauso, Paulo Menicucci apresentou: “Estado Comatoso”. Estava iniciando o seu apostolado a favor da humanidade.

 

Quando ainda estudante, absorvendo e burilando os próprios estudos, avançava além dos ensinamentos, praticando em suas férias a medicina, desde o início com vitórias e triunfos, mostrando já aos indigentes a grandeza do seu coração e o desprendimento do seu espírito.

 

Em 1915 a varíola assolou o arraial de Macaia, e, este homem, Dr. Paulo Menicucci, combateu com denodo e destemerosamente o mal, levando a sua ciência e sabedora até aos lares mais pobres. Em 1918, enfrentou, embora doente, o surto da “espanhola”, atendendo dia após dia e noite trás noite, um cortejo imenso de doentes, para os quais a sua palavra era bênção. Por essa época, já a sua fama de cirurgião rompia fronteiras e repercutia por todos os rincões.

 

Em 9 de fevereiro de 1925, teve a seu cargo um caso melindrosíssimo, profissional e espiritualmente: operar o próprio pai, cujo estado exigia uma intervenção perigosa. Cientificamente perfeita foi a sua cirurgia, mas a mão da fatalidade pôde mais...

 

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Escrito por Elcídio Grandi às 12h04
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O Dr. Paulo Menicucci era sócio da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, foi vice-presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Sul de Minas, presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Lavras – que por infelicidade teve muito curta duração – diretor da Escola de Enfermeiras da Filial da Cruz Vermelha, diretor do serviço médico da Santa Casa de Misericórdia, da qual foi também provedor. Participou com brilhantismo de diversos congressos, sendo a última vez em 1939, no Congresso Brasileiro-Americano de Cirurgia.

 

O seu nome, como médico e cirurgião, rompeu serra e atravessou mares, repercutindo na velha Europa, em publicações de destaque e nos meios onde imperava a ciência. E este homem, este lutador, que se quisesse, teria a pompa prostrada a seus pés e todas as medalhas do merecimento pendentes de seu peito, professou com sabedoria de um gênio e trabalhou com a resignação de um santo, para o povo, sempre envolto no manto da simplicidade e escondido nas malhas da modéstia.

 

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A noite é clara e morna... uma lua de alumínio polido sorri dos céus lançando fulgores diamantinos no espelho das águas e brincando nas verdes frondes da vegetação inquieta. Noite calma de um cinza ameno e morno... uma nuvem de pó... um luxuoso carro em disparada corta as silenciosas ruas da cidade, desce impetuosamente a rua Caetano Machado, parando em frente à modesta casa amarela, onde reside Paulo Menicucci. Salta alvoroçado um homem, corre à porta, comprime com desespero a campainha. – Doutor! Doutor!... Salve-a doutro!... E aquele homem, transfigurado pelo desespero, retorcendo as mãos, espera com ânsias que a sua única esperança apanhe às pressas um chapéu e um estojo de ferramentas e saia com ele. Volta em disparada o carro. Estaca defronte de um palacete, onde a cada canto uma lágrima desesperada, põe o seu gemido de dor... Mais uma vida arrancada das esquálidas mãos da morte... Rompe o dia, quando o soldado da medicina desce as escadas do palacete, deixando em lugar do pranto de desespero, lágrimas de bênção e de agradecimento... e caminha... caminha com a mesma calma e a mesma convicção de sempre. Já em seu gabinete se acotovelam sofredores em busca de alívio e o apóstolo vai agora estar com eles.

 

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Escrito por Elcídio Grandi às 12h03
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 A noite é negra, negra e despovoada de estrelas. Um vento tempestuoso geme nas esquinas e açoita as palmeiras. Uma torrencial chuva, desce dos céus, maneando-se e ondulando-se aos silvos da tempestade. A enxurrada, rugindo, lava as esburacadas ruas da cidade. Tudo é treva. Somente de quando em vez, um raio corta os mantos do céu, ribombando na face da terra. U’a mulher esfarrapada, sem ao menos um abrigo para cobrir-se, caminha apressada com passo incerto, arrastando-se com o corpo gelado e misturando com as lágrimas da chuva as suas lágrimas de dor. Transpõe aquele portão simples da mesma casa amarela. Há em suas feições demarcadas, um selo de indelével sofrimento, as mãos trêmulas, o corpo encharcado, a respiração ofegante, bate ruidosamente à porta: - Por amor de Deus doutor!... Os mesmos passos compassados, a mesma feição cansada e bondosa. No desespero de mãe, roga a pobre maltrapilha mulher: - O meu filho, doutor!... Salve-o, doutor! Ajuda-me por Deus... Ele morre! De negro e surrado sobretudo, um velho chapéu cobrindo a cabeça, onde as neves do tempo já depositam o seu alvo manto, amparando com um guarda-chuva a pobre desgraçada, caminha o apóstolo. Urge salvar mais esta vida, que a traiçoeira morte tenta arrancar dos braços de u’a mãe em pranto... u’a mísera choupana pontilhada de goteiras, gemendo em cada canto uma tristeza, soluçando em cada canto um desamparo. Sobre uma velha e úmida esteira, onde um lampião oscilante lança uma luz morna de bronze, um pobre menino contorce-se na ansiedade de conservar a vida... e a mão do sábio, lutando noite a dentro, transforma em riso a dor e em esperança o sofrimento. Rompe a aurora. A chuva ainda cai, agora brandamente. Deixa a choupana do pobre o homem de todos os momentos, o sábio de todos os instantes e caminha... caminha calmamente. Em sua sala de trabalhos, espera-o já a multidão sofredora. E o médico dos ricos e médico dos pobres, cirurgião dos homens e das crianças, ídolo de todos e consolo dos lares aflitos, atravessa a vida, deixando em eu rasto uma réstia de luz – Caminho certo para uma eternidade feliz.

 

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 O Dr. Paulo Menicucci ingressou na política, por ocasião da campanha presidencial de Ruy Barbosa. Foi agente executivo do município de Lavras, tendo assinado durante a sua gestão, a lei que instituiu o curso rural, anexo ao Grupo Escolar Firmino Costa. Representou Lavras no congresso das municipalidades, realizado em Belo Horizonte e em 1923. Nesse mesmo ano foi eleito deputado a Assembléia Legislativa Estadual. Como político, revelou-se sempre com altivez de espírito e grandeza d’alma. Sereno e cordato, reto no cumprimento de suas missões e gigantesco na defesa dos direitos humanos – AMIGO DA LIBERDADE. Ao afastar-se da política, o se prestígio rompia fronteiras. Os seus dizeres de sábio faziam eco em todos os cantos do Brasil; entretanto, Paulo Menicucci, resolvera trocar a glória efêmera que lhe poderia advir dentre os homens, para atirar-se com denodo, a serviço da humanidade, empunhando um bisturi ou ministrando uma receita, dentro da carreira a que se consagrou.

 

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Escrito por Elcídio Grandi às 12h03
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Tarde quente do ano de 1924. Realiza-se a primeira sessão dos novos deputados na Assembléia Legislativa Estadual. Há um como encantamento. Casacas bem talhadas, peitilhos engomados, lapelas de seda e lustrosas cartolas. O luxo e o requinte se mostram no seu mais elevado grau. Há uma cadeira vazia... tarda a chegar um dos deputados. Vai ter início a sessão. Um murmúrio corre por toda a sala. Risos abafados, olhares de mofa. No seu terno simples de homem modesto, atada com descuido a gravata, o andar compassado e o semblante de despreocupação, penetra naquele recinto o deputado Paulo Menicucci. Toma assento. Inicia-se a sessão. Os homens que ali estão, enfarpelados em custosas roupas, parecem não se interessar pelas palavras do presidente. Todos os olhares se voltam para aquele homem simples, que dentro do seu terno surrado, põe atenção nos trabalhos. Os risos e sussurros continuam. O presidente está cansado de pedir silêncio. Chega a hora de ocupar a tribuna, o provinciano de modos simples: Paulo Menicucci. Fluente no emprego do verbo, inicia em baixa voz a sua oratória, para num crescendo tumultuoso, atingir o clímax da eloqüência. E a sua palavra sábia, reboa entre as quatro paredes do recinto. O silêncio é completo. Absorvidos pelas verdades daquela cristalina fonte de saber, os seus colegas de trabalho, parecem ter ímpetos de aplaudi-lo, antes mesmo que ele termine esse quadro de arte, pintado com palavras e iluminado com franquezas, entretanto, parecem amarrados; as mãos presas sobre os joelhos e os lábios colados, como se a mão do silêncio, querendo trazer-lhes arrependimento, depositasse sobre eles o selo da mudez. Com frases cantantes, como uma melodia e verdadeiras como a própria verdade, Paulo Menicucci se agiganta frente aos olhos estupefatos dos seus enfarpelados colegas. As suas palavras de aplauso, têm o calor da sinceridade e do merecimento, o seu verbo de ataque, fere como um chicote, vergastando na própria face a injustiça e a opressão, o servilismo e a infâmia. Cada frase que brota de seu orar magnífico, é uma bandeira impoluta que se levanta tremulando aos ventos da verdade e da liberdade. Termina as suas palavras. Um delírio invade o recinto. Brados de exclamação fazem eco nas paredes claras da câmara, os aplausos são intermináveis. Como que movidos por uma só vontade, levantam-se todos os deputados, para carregar nos braços o provinciano de roupa amarfanhada. O homem que entrara naquela sala, sob sussurros e risos de mofa pequeno na sua indumentária despretensiosa, ante os olhos do luxo efêmero, sai agora, carregado pela admiração e respeito que lhe votariam os seus colegas, durante toda a sua permanência na assembléia. Em mais esta fase da vida, vence ainda Paulo Menicucci.

 

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 Como cidadão progressista, o Dr. Paulo Menicucci, se mostrou, em todos os setores onde imperassem ideais nobres. Além de inspetor escolar, professor da Escola Normal, presidente de honra da Associação Odontológica de Lavras, diretor-presidente do Ginásio N. S. Aparecida, do qual foi um dos fundadores, foi ainda presidente de honra da Associação Olímpica de Lavras, classificada por ele mesmo como “O mais completo ideal de eugenia e cultura física em aliança com a cultura artística e espiritual, que completam o ideal dessa instituição.

 

O Dr. Paulo Menicucci, estendia sempre o seu braço a tudo o que significasse progresso, a tudo o que traduzisse verdade e sinceridade.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h03
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Lembro-me ainda de quando iniciei em Lavras, o movimento em prol do “Obelisco da Mocidade” e tendo procurado este homem, para que ele abrisse com a sua sábia palavra as páginas do livro de subscrições, ter ouvido dele essas palavras que me encheram de coragem:- “Quanto mais intensa é a luta, mais gloriosa é a vitória”. E, assim m foi Paulo Menicucci; entusiasta vibrante, que colocava sempre a sua palavra de apoio a favor do direito.

 

Lavras, que foi para este gigante da ciência, o solo do seu coração, recebeu de suas mãos o todo de melhoramentos, que a sua fortuna, mínima em relação à sua atividade, edificou em prédios, erguidos pela confiança depositada no futuro de nossa terra.

 

Dr. Paulo Menicucci, cidadão que soube honrar a terra em que viveu!

 

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E foi como cidadão honrado e progressista, como profissional sábio e bondoso, como político justo e sincero, como pai de família exemplar e complacente, que Dr. Paulo Menicucci, marchou pelos caminhos da vida, semeando a bondade e colhendo simpatias, pregando a justiça e cultivando a verdade, praticando a caridade e batalhando pelo direito.

 

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 De todas as partes, até onde chegou a dolorosa notícia de sua morte, caravanas de agradecidos, que um dia foram salvos pelas suas sábias mãos; avalanches de admiradores-apologistas de sua nobre pessoa vieram acompanhar até o último berço, o corpo inerte daquele que lhes foi caro.

 

As lágrimas derramadas, dos olhos duros dos trabalhadores, nas faces de mães aflitas, nos palácios e nas choupanas, traduziram bem o devotamento e o amor do povo, para com esse símbolo da lealdade e da nobreza.

 

Os negros crepes que cobriam as janelas da Santa Casa, expressavam o pranto que se debruçava naquela instituição, onde por longos anos o seu bisturi certeiro, desgarrou das mãos da morte, centenas de vidas.

 

Mais de cinco mil pessoas, em absoluto silêncio – símbolo da tristeza e do desamparo – seguiam aquele cortejo fúnebre até o campo santo – morada da matéria, berço de ilusões.

 

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Escrito por Elcídio Grandi às 12h02
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 Um ano faz hoje que faleceu o grande Dr. Paulo Menicucci, um ano que a sua falta transformou em um século de saudades.

 

De todas as esferas se faz sentir a comoção e a tristeza, que cobrem com seu pesado manto, as almas que o idolatravam.

 

Como homenagem, a Associação Olímpica, publicou da autoria do Dr. Rezende Júnior a poesia:

 

“Paulo Menicucci”

 

(In memorian)

 

Tombou na luta esse gigante

Da medicina e da caridade,

E angustiada, delirante,

Ante o seu corpo inanimado,

Chora a alma da cidade!

O próprio dia está chorando,

Lágrimas ingentes e sentidas,

Com a chuva que está tombando

Sobre as ruas ressequidas!

Religioso, sem ódios, sem vingança,

Num verdadeiro apostolado,

Era de todo enfermo uma esperança,

Um exemplo na terra a ser imitado!

Seu nome ficará vivendo em nossa história!

Lembrado a cada momento,

E esse é o seu maior monumento

De Glória!

Deus recebeu o seu espírito iluminado

Com cânticos lá na altura,

Pois aqui no mundo esse mestre amado

Só espalhou ventura!

Paulo Menicucci! Paulo Menicucci!

Que vazio na cidade!

Acompanham-te em ondas pelo espaço

Nossa gratidão eterna e uma eterna saudade!

 

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 E assim, cada um dentro do seu modo de expressar, pranteou e pranteia ainda, esse inesquecível morto, símbolo de uma época, pai de um ideal!



Escrito por Elcídio Grandi às 12h02
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Espírito luminoso e alma grande, coração magnânimo e pulso forte, Paulo Menicucci nos deixou uma jóia poética, onde toda a sua vida de resignado se mostra, envolta na mais vulnerável modéstia. Essa página brilhante de sua lira, bem poderia ser chamada: “Entre Alfa e ômega”, pois encerra toda uma existência:

 

“Na vida procurei falsos luzeiros,

Nunca encontrei ventura verdadeira.

Titubeante anseio, buscava louco

A fortuna alcançar nessa carreira.”

 

“Quantas vezes, cansado de lutar,

Me recostava à sombra da mangueira

Do meu pomar eu pensava, pensava...

Como seria feliz... de que maneira.”

 

“Oh! Mísero que fui, como não via

Correr em borbotões a fonte pura

Do prazer, da ventura, da alegria”.

 

“Da verdadeira fé que sempre dura,

Na pureza sagrada de Maria

E, de Jesus, na paz da sepultura!”

 

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Deixando aqui a minha homenagem, que também é da Rádio Cultura D’Oeste, eu quero dirigir à família do pranteado Paulo Menicucci, estas palavras:

 

A GRAVURA IMORTALIZA A MATÉRIA,

A OBRA IMORTALIZA O ESPÍRITO,

AS PALAVRAS, PELO SEU SENTIDO, SÃO

ETERNAS E ESTA UNIÃO SINTETIZA

A VIDA. VIVO ESTÁ POIS PAULO MENICUCCI!

 

Dr. Paulo Menicucci! Gigante do direito, marco de um ideal, aqui fica, com o meu preito de saudades e a minha gratidão, do âmago do peito, do fundo do coração, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h01
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CIDADE DE CAMPO BELO

 

- Ode –

 

p.147

 

 

Berço impoluto de um povo idealista, que pugna pela grandeza futura de seu torrão natal, Campo Belo é uma jóia burilada nas mós do tempo, pela inquebrantável vontade de seus filhos, enfeitando com brilho e esplendor este pedaço de Minas Gerais.

 

Num elo de afinidade e de inexpugnável amizade, liga-se nossa Lavras a essa terra de progresso, que a largos passos marcha para um próximo futuro, coroado de glórias, no ornato magnífico do merecimento devido.

 

Campo Belo é o vivo exemplo da vitória de idéias e vontades, sobre a dogmática imposição de pseudo-feudos estacionadores. Trabalhada no carinho e dedicação de seus filhos, sai das trevas do anonimato, para se agigantar dentro do coração das Gerais, como um titã poderoso, sobre os alicerces de sua própria vontade.

 

Como se um mesmo bafejo, alentasse os sonhos nossos e dessa irmã dos nossos ideais, Campo Belo estende com bravura os seus tentáculos vibrantes de progressista e trabalhadora, em todos os campos do futuro, fundando indústrias e levantando escolas, embelezando suas ruas e dando amparo e conforto à sua gente. Galgando os degraus da educação social, numa igualdade perfeita de consciência e concreta afinidade de vontades, com o povo de nossa terra.

 

E, forjando hoje mais um elo de amizade que nos unirá até a eternidade pelas ondas da emissora do povo, quero deixar aqui, cidade Campo Belo, com a admiração de nossa gente e a cordialidade dos nossos pensamentos, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h33
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GRUPO ESCOLAR ÁLVARO BOTELHO

 

- Mérito –

 

p.151

 

 

Em seguimento dos passos do Grupo Escolar Firmino Costa e hoje marchando ao lado deste iniciador maravilhoso do ensino primário em nosso estado, você, Grupo Escolar Álvaro Botelho, é mais uma luminosa página de saber, gravada nos anais da história lavrense. O seu rasto luminoso se mostra como uma auréola de fogo, coroando as mentes de um povo altaneiro.

 

Enriquecendo o nosso rincão sagrado, você avança por obstáculos e espinhos, em demanda de uma glória merecida, num horizonte de promissão não muito distante.

 

O nome de Álvaro Botelho encima com majestade, ETA obra de grandeza, que uma plêiade de jovens e abnegados professores dirige com acerto, pelos sendeiros da verdade e da sabedoria, da justiça e da bondade; na confiança de um porvir de certezas para a glória do Brasil.

 

Nas suas mãos, jovens professoras do Grupo Escolar Álvaro Botelho, pesa a responsabilidade de moldar para amanhã as mentalidades de hoje, como um lavrador consciente, que lançando suas sementes em fértil solo, amanha sua lavoura para a fratura e sobrevivência futura.

 

A ZYI-6, novo órgão de recreio espiritual, de cultura e reerguimento mental da cidade Lavras, alia-se hoje à sua obra benfazeja de educação e verdade, num preito sincero de admiração.

 

Como porta-voz desta emissora, que sendo do povo, também é sua, Grupo Escolar Álvaro Botelho, eu quero deixar aqui, como símbolo da confiança e da sinceridade dos nossos corações, a mais singela e profunda homenagem da Cultura D’Oeste.

 

Cordialmente, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h33
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MILTON SOARES CAMPOS

 

- Homenagem –

 

p. 155

 

 

Quando soou nos céus do Brasil o grito de democracia, foi como que o brado de um Hércules, brotado do coração das trevas ditatoriais, reboando de rincão em rincão, de quebrada em quebrada, lançando luz sobre o desespero cego do nosso povo, despertando ideais agrilhoados nas cadeias da imposição e rompendo as ergástulas da escravidão moral, que nos cobria com o lodoso manto da tirania autoritária. E o Brasil se ergueu, ainda fraco da moléstia que o assolou e da qual ainda convalesce, aos gritos de liberdade que encheram os céus e atravessaram as suas fronteiras, perdendo-se no infinito ou ecoando por todo o mundo, na voz das nações democráticas, que ansiavam pela volta de nossa pátria, ao aconchego livre dos povos de vontade.

 

E o Brasil se ergueu, se ergueu e caminha hoje, lutando com os obstáculos que a sórdida era getuliana espalhou pelos seus sendeiros, dificultando em todos os setores a marcha para o futuro. Entretanto, dia após dia e mês após mês, numa árdua batalha de renascimento, caminha nossa pátria; irremovível em seus anseios de liberdade e forte na remoção das escórias ditatoriais, que de tempo em tempo se fazem ouvir, como um coaxar de sapos nojentos que se arrastam na lama da impotência, cheias as bocas de impropérios e vazios os espíritos de ideais, sonhando com os áureos dias passados, quando uma palavra de seu senhor significava uma lei e quando a um piscar de olhos, o alimento das populações sofredoras se transformavam em ouro para a construção de cassinos e palácios. Quando o suor dos honrados laboristas enchia os seus banquetes de ostentação, de um luxo e esperdício, comparáveis às comemorações de um “rei sol” ou de u ma Cleópatra, dissolvendo em cristalina taça de vinho as pérolas da dor, que custaram a vida de mergulhadores escravos. Mas, já vai longe o tempo da imposição e César impotente, varado pelo punhal livre de Brutus, contorce-se na agonia da morte, contemplando entre o expulsar de gemidos débeis, a marcha vitoriosa do povo até os horizontes da vontade, onde o livre arbítrio reergueu a sua fortaleza, nas indestrutíveis rochas do direito, nos braços fortes da liberdade.

 

E, nessa luta constante e altaneira, caminha o Brasil para um porvir que há de ser grande e livre, glorioso e triunfal. De degrau em degrau, galgando a escada da verdade, até aos píncaros da refulgente vitória.

 

Minas Gerais, pedaço decisivo nos destinos do Brasil, deposita hoje na balança do direito, mais um peso a favor da liberdade. Toma posse o nosso governador. Alçado ao palácio do estado, antes manchado pela baba nojenta de um tentáculo ditatorial, para dali dirigir, pela nossa própria vontade, como timoneiro certo, os nossos anseios até o norte da vida livre e honesta, onde impera a vontade sobre a imposição e a liberdade de pensamentos e palavras sobre as normas de retórica e bajulação, que coroam sempre as cabeças imerecedoras e pisam sempre as gargantas da verdade.

 

Toma posse hoje no governo do estado de Minas Gerais, o Dr. Milton Soares Campos. Cidadão culto e honrado, reto de caráter e pleno de liberdade. Eleito pela vontade do nosso povo e empossado pela confiança dos nossos corações. E, nesse dia de júbilo para o nosso estado, Milton Campos recebe em suas mãos a responsabilidade dos nossos destinos, ao mesmo tempo em que recebe também da natureza, aqui juntinho à nossa terra, em Ribeirão Vermelho, um quadro pintado com lágrimas de sofrimento e emoldurado com soluços de desamparo. Contempla o amargo colorido desta visão horrenda, quando as águas do rio Grande, enfurecidas e avolumadas, devoram e sepultam uma comunidade inteira, contempla com atenção, num detalhado e minucioso estudo, como um problema a mais entre as prementes necessidades nossas.

 

Milton Soares Campos, por entre o júbilo de Minas Gerais, por entre a alegria da nossa gente, nós lhe oferecemos este quadro de dor que a natureza pintou nas plagas de Ribeirão Vermelho, confiantes na grandeza do seu coração e na retidão do seu caráter, esperançosos e convictos nos desígnios da sua compreensão.

 

Lavras lhe oferece também, Milton Soares Campos, o seu aplauso quente e o seu apoio sincero, certa de sua inteligência, que há de levar o nosso estado até à refulgência concreta de um futuro de grandezas.

 

E eu, aqui do meu cantinho humilde, pelas ondas da Cultura D’Oeste, digno presidente do estado de Minas Gerais, ofereço com sinceridade e admiração, com Júbilo e esperança, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h32
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LEON JOFRE AVAYOU

 

- Cumprimento –

 

p.161

 

 

É com grande júbilo, que hoje levanto, aqui do meu cantinho, a minha voz, para levar até você, meu resoluto companheiro de lutas, o meu caloroso e sincero cumprimento, pela passagem de seu aniversário natalício.

 

Falar de você, Jofre Avayou, é abrir as páginas do livro da vida, de onde vemos brotar, numa cavalgada estrepitosa, os feitos de uma vontade inquebrantável, de uma abnegação heróica e de uma compreensão magnífica.

 

Falar de você, sem falar da sua vida de lutas, é fechar os olhos ante a bandeira de um ideal brilhante e seguir as sendas da mediocridade e da fantasia.

 

Você, nobre e valoroso filho, ao ver tombar, ferido pelas mãos da morte nos caminhos da vida, o pai que o criara com desvelo e carinho, tomou em suas mãos de criança ainda, o baluarte que com tanto esforço e dignidade empunhavam as mãos paternas. E você, deixando de lado os brinquedos e os estudos, esquecendo-se de sua própria infância, atirou-se com denodo na luta pela vida, com os olhos fitos em u’a mãe viúva, abnegada e boa que, abraçada aos seus irmãos menores, chorava a perda do companheiro de toda a vida, caçado em meio da batalha pelos dardos inclementes da morte.

 

De seus olhos, eu bem sei, meu caro amigo, de seus olhos de criança, rolaram lágrimas de dor ao abandonar os amigos e os brinquedos, deixando à beira do caminho os próprios livros que iluminavam os seus dias infantis.

 

Lembro-me bem, meu colega de infância, daqueles felizes tempos: campo do cemitério, os batalhões, os carrinhos de sarjeta, o tempo dos papagaios e as gostosas frutas do quintal da viuvinha. Tudo era harmonia, criancice e alegria. Chegou porém o dia em que o seu caminho se bifurcou, mostrando-lhe as áridas escarpas da vida, enquanto nós, seus companheiros, vivemos ainda por muito tempo, recebendo o nosso Papai Noel em cada Natal e construindo os nossos carrinhos de sarjeta.

 

Você conheceu muito cedo o lado espinhoso da existência, entretanto, você soube abandonar o riso inocente de criança e atirar-se com denodo no amparo à sua família, mostrando já um vinco de responsabilidade a marcar-lhe a fronte.

 

Esta foi a sua primeira batalha. Primeira e gloriosa, na qual você moldou para os seus dias futuros, o amor à luta e o destemor aos imprevistos; símbolos que hoje imperam em seu coração moço e sincero.

 

Você empunhou esse baluarte de lutas que é a Rádio Cultura D’Oeste, com a convicção e a certeza de um porvir luminoso para a nossa terra. E, marchamos juntos pelos trilhos inclementes deste ideal, colhendo louros aqui e sofrendo débâcles mais adiante. Vislumbrando emboscadas e arrostando responsabilidades. Você foi e é até hoje um heróico e valoroso companheiro de lutas. Você não mede esforços para ver coroada nas alturas da glória a fronte altiva deste empreendimento, que dia a dia mais penetra no coração de nossa gente: Rádio Cultura D’Oeste.

 

E é como amigo de infância, como companheiro de lutas e como membro desse corpo idealista, que é a nossa emissora, que eu quero deixar aqui, com o meu cumprimento sincero, Leon Jofre Avayou, os meus votos de perene felicidade, juntamente com o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h31
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MARTA MOREIRA

 

- Mérito –

 

p.165

 

 

 

A plenitude suprema de uma mocidade vibrante e a irradiação simpática de uma jovialidade prazenteira, reside em você, ardente e esforçada artista.

 

A magia sublime da sua arte, nos transporta aos mais elevados e sonhadores píncaros de meditação espiritual.

 

A sua figura meiga de cooperadora resoluta, traz para o nosso meio a confiança e a certeza de um futuro brilhante.

 

A arte é pessoal e não admite uniformidade. Você personifica uma arte toda sua, originada nos seus próprios sentimentos, nascida de sua própria vontade e não presa a manuais ou especificações técnicas. Você emoldura a sua obra com a luminosidade da sua imaginação.

 

Somente o artífice reconhece e estuda as regras que o prendem, o tolhem e o resumem dentro das fronteiras da capacidade forçada.

 

Ser pessoal – Eis o artista.

 

Ser impessoal – Eis o artífice.

 

Criador – Artista.

 

Imitador – Artífice.

 

Arrancar dos próprios sentimentos, dos tropeços e das alegrias da vida a sua obra – Eis o artista.

 

Seguir os passos da arte, colhendo as migalhas de luz que caem das sobras de suas mãos, como um cão faminto, imitando e compondo com os restos apanhados, as limitadas e disformes cópias de grandes criações – Eis o artífice.

 

Não admitir fronteiras – Artista.

 

Limitar-se às possibilidade da criação alheia – Artífice.

 

Na liberdade de criação, na potencialidade imaginária, na originalidade de princípios e na confiança em si próprio, está o lema e a estrela guia da verdadeira arte.

 

Na escravização da personalidade, na incompetência criadora e na movediça certeza de si próprio, reside a obscuridade e a insegurança dos caminhos, por onde trilha a ganância do artífice.

 

E você, Marta Moreira, artista exímia e pessoal, Criadora inesgotável e cooperadora desprendida, não conhece fronteiras para as suas obras. Você ignora as algemas limítrofes do agrilhoamento da arte pura, sublime e sã. Você é o lado oposto ao artificialismo estacionador. E nós nos sentimos seguros de haver encontrado em você, o apoio e a boa vontade, que para nós significa a certeza de louros refulgentes, colhidos nas próprias frontes incendiadas da glória.

 

E é para você, espírito elevado, que conhece e professa a sábia definição de um grande pensador: “A ARTE É A EMOÇÃO EXPRESSA”, que eu quero deixar aqui hoje o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 15h30
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ESCOLA NORMAL E GINÁSIO N. S. DE LOURDES

 

- Mérito –

 

p.169

 

 

Marcham os anos através dos tempos, mudam-se os tempos através das eras e esta instituição, exemplar podemos dizer, galga nas escadas da vida os degraus de fama e merecimento, que coroam as frontes do labor profícuo.

 

Dentro de u ma orientação sadia e fértil, a Escola Normal e Ginásio N. S. de Lourdes, vem, desde há muitos anos, entregando à coletividade um punhado vibrante de força nas sendas da educação e da cultura.

 

As plêiades de jovens, que no final de cada ano deixam os seus umbrais, levam consigo para a prática da vida, a convicção e a confiança daqueles que tiveram uma formação completa e bem dirigida. Espalham-se por este Brasil em fora, colhendo a cada dia e a cada passo, mais louros e troféus para esta casa que honra o ensino em nossa terra.

 

Marchando dentro de uma orientação elevada, num aprimoramento magnífico das mentalidades jovens, a Escola Normal e Ginásio N. S. de Lourdes, em arrancadas estóicas, vai semeando a educação e a fé, a igualdade e a cultura, em demanda de um objetivo claro e amplo nos campos do futuro.

 

Nascido talvez da efeméride de um sonho, como todos os grandes empreendimentos, este marco da instrução se eleva e se agiganta, rasgando novos horizontes para a certeza de um porvir mais certo e mais refulgente.

 

As suas mestras, abnegadas e virgens desposadas de Cristo, sabem conduzir e burilar as mentes que ali aportam, sequiosas de saber, fornecendo a elas, na palavra sábia do Criador, as páginas da verdade e do direito, da religião e da cultura.

 

E partindo dos seus domínios, saem a cada ano as novas professoras, trazendo nas mãos um diploma, no espírito a vontade e o amor e na mente a capacidade e a orientação. No trabalho em prol da educação da infância, são férteis sementes que, lançadas em boa terra, frutificam-se em searas maravilhosas.

 

Escola Normal e Ginásio N. S. de Lourdes, dentro de modestas, porém sinceras páginas, eu nunca deixei de aplaudir o direito e a liberdade, contra a mistificação e a infâmia, como também, jamais deixei no esquecimento, as instituições, que pelo seu trabalho, pelo seu merecimento, galgam as escarpas do progresso, pelos caminhos da verdadeira luta em prol de um futuro mais construtivo.

 

Volvendo hoje os meus olhos para voe, medindo em toda extensão a sua obra benfazeja, eu quer o entregar-lhe, como uma homenagem sincera, a minha medalha condecorativa, sem cor nem forma, entretanto ,forjada no coração da luta pela verdade e da batalha pelo mérito.

 

Escola Normal e Ginásio N. S. de Lourdes, aqui fica, com admiração e respeito, do mais profundo da minha sinceridade, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 11h03
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ROBERTO COIMBRA

 

- Mérito –

 

p.173

 

 

O saber, a verdade e a sinceridade, moram sempre em peitos modestos, onde os olhos da retórica terrena, não vislumbram ou não procuram vislumbrar, limitando-se somente a ignorá-los e procurando amedalhados coletes e doirados fardões, onde depositar mais u’a medalha de ouro, forjada e cunhada no coração da ignorância, pelas mãos sórdidas da bajulação.

 

Você, Roberto Coimbra, soube, quando solicitado, trazer até nós a sua palavra de estímulo e colocar-se ombro a ombro com a nossa causa, em prol de um futuro mais certo e mais refulgente para a nossa terra.

 

Você não nos ignorou, como esses medalhões da ostentação, que nem sequer uma palavra ou um gesto esboçaram, murando-se dentro de sua indiferença, apoiados em cargos rendosos, de onde são se olha a luta por um ideal pelo prisma da cooperação, mas sim encarando-a pelos grilhões da conveniência, que têm acento numa única palavra: DINHEIRO.

 

Você é a cabana pobre e acolhedora, que abre até aos batentes a sua porta, para dar entrada o viajor solitário, que procura nas trevas o norte da vida; caminhado certo à glória do porvir.

 

Eles são os palacetes; doirados pela corrupção, ornamentados pela ganância e saturados pela indiferença. Eles cerram com grilhões as suas portas, medrosos de seu próprio poder, incertos em seus próprios gestos e movediços em suas próprias ações. Vermes humanos que pululam em arcas de ouro, arrancadas dos braços nus de trabalhadores honrados, da boca das inocentes criancinhas e do labor de honestos operários. Inúteis e bárbaros, sanguessugas de uma nação. As medalhas que bordam os seus peitos de fantoches, podem ser, uma a uma, contadas na desgraça de um semelhante, no sacrifício de uma vida inocente ou na ostentação de mesquinhas bajulações.

 

O seu peito, Roberto Coimbra, virgem dessas nódoas imundas, recebe hoje, não das nossas mãos, mas sim dos nossos corações, u’a medalha que não tem cor nem forma, peso ou valor material, mas que encerra um significativo. Essa medalha chama-se AMIZADE.

 

E eu, aqui, entrego a você, esta que é feita de espírito para espírito, com toda a sinceridade, juntamente com o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 11h02
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NOVA DIRETORIA DO AERO-CLUBE DE LAVRAS

 

- Incentivo –

 

p.177

 

 

Os grandes empreendimentos devem ter à frente grandes mentalidades.

 

O Aero-Clube de Lavras, ideal de espíritos nobres, é um dos mais fortes e reais toques de progresso e civismo que ornam as frontes de Lavras, com um fulgor áureo de sol poente.

 

As asas que entrecruzam de norte a sul e de leste a oeste os céus de nossa terra, entoando no ronco de seus motores o hino de um porvir grandioso, espraiando-se por horizontes largos, de possibilidades irrefutáveis, é bem uma demonstração da arrancada certa, em busca de um próximo e glorioso futuro, coroado de ouros incendiados nas alturas do triunfo.

 

A cidade de Lavras, confiante no amor e na dedicação de seus filhos, espera de você, nova diretoria do Aero-Clube, um todo de realizações e de vitórias, que as suas mentes superiores poderão forjar, para maior grandeza do que é nosso e mais próximo futuro de glórias almejadas.

 

Confiante na altura da sua visão, no arrojo do seu ideal e na vontade do seu trabalho, eu deixo aqui, para você, nova diretoria do Aero-Clube de Lavras, com o meu aplauso sincero, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 11h02
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LAVRADOR LAVRENSE

 

- Direito –

 

p.181

 

 

 

De sol a sol, sob a canícula escaldante, dia após dia, açoitado pelos temporais tempestuosos, vendo e medindo o dia em toda a sua plenitude; do despontar luminoso da aurora, como uma corola de luz que desabrocha nos rochosos píncaros dos montes agrestes, até o morrer do dia no horizonte em negros véus diáfanos, cobre pudorosamente o corpo desnudo da terra e o astro-rei se debruça ensangüentado, como se procurasse abrigo no próprio coração de montanhas encantadas.

 

Você, pulso de aço da sobrevivência presente, base irredutível da grandeza futura, puxando resolutamente a sua enxada ou rasgando com seu arado as áridas terras deste rincão impoluto, nos garante para um bem próximo porvir, a certeza de uma Lavras mais próspera, mais farta e mais livre.

 

Você, lavrador lavrense, que arranca com denodo, do seio quase estéril deste solo, o sustento de potentados e pseudo-feudos estacionadores, recebe como único prêmio, a ingratidão e o desprezo, a maledicência e a incompreensão dos que, julgando fazer esmolas, lhe entregam uma terra pobre e infecunda, exigindo de você o trabalho escravizador de servos mal remunerados.

 

Entretanto, trabalhador da minha terra, um brado de direitos já se faz mostrar no horizonte da bonança, como um bálsamo de luz, ornando as frontes da justiça. E, há de vir para o seu meio, trazendo o espírito da compreensão e do civismo, da igualdade e do direito, da bondade e do reconhecimento.

 

Com o peito saturado de sinceridade, o coração cheio de ideais e a mente alevantada, eu creio no seu futuro de glórias e direitos, lavrador lavrense.

 

Confiante, aqui deixo o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 11h01
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MÉDICO DE LAVRAS

- Mérito –

 

p.185

 

 

Quando de braço estendido, com o pensamento voltado para as responsabilidades práticas da vida, você prestou, perante Deus e os homens, o sagrado juramento, que para seus futuros dias, até o ocaso de sua existência, devia reger as normas de seu trilhar, você o fez com a inquebrantável consciência de que vislumbra pelos caminhos incertos do porvir, o gemido de mendigos sofredores, o pranto de mães em desespero, a dor cruciante dos desprotegidos e o choro inocente das criancinhas. Sentindo-se mais forte que a própria vida, você aceitou com segurança e confiado em sua capacidade, tomar a peito e respeitar as palavras de Demóstenes.

 

Em noites negras, quando a cortina líquida dos céus se desprende e se debruça sobre a face árida da terra, ondulando-se à ferocidade de vendavais demoníacos, como se a divindade quisesse lançar sobre nossas cabeças todo o peso de sua ira, aplastando no lodo da morte eterna todo o pecado terreno, é você, médico de Lavras, que abandona o aconchego de seu leito, para responder às súplicas de pais desesperados, buscando salvação para uma esposa quase à morte ou para um filho moribundo, enfrentando tempestades, sem esboçar sequer um semblante de aborrecimento, leva até aos leitos de dor, a sua sábia mão de profissional competente.

 

É você, médico de Lavras, que não medindo bolsas, arrosta todos os obstáculos e esgota todas as ânforas de seu saber, sempre com um sorriso encorajador, para volver à vida, entes que a negra ceifa da morte escolhe para o seu lado.

 

É você, médico de Lavras, que expõe seu próprio sangue, sua própria vida, para arrancar das esquálidas mãos de epidemias devoradoras, a existência de criancinhas, que mal nascidas, encontram já de face um obstáculo, vedando-lhe o direito de um lugar ao sol.

 

E é a você, médico de Lavras, sesteio certo de um porvir mais puro, de uma existência mais sã e de um futuro mais forte, que eu hoje dedico o meu ei...



Escrito por Elcídio Grandi às 14h11
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PROFESSOR FIRMINO COSTA

 

(Síntese biográfica)

 

- Mérito –

 

p.189

 

Num enlevo supremo, a “Atenas Mineira”, vê passar hoje o dia magno de nascimento do professor Firmino Costa. Figura que atravessando os anos, rompendo a caminhada dos tempos, alça-se magnífica ante os olhos de todos aqueles que lutam pela educação, pela alfabetização e pelo ensino em nossa terra.

 

Vulto dos mais brilhantes, o professor Firmino Costa, soube palmilhar, sem mácula, os caminhos da instrução, num sublime apostolado, de quem conhece a luta e sabe pelejar a favor de um ideal.

 

Nascido no Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 1864, Firmino Costa era filho do capitão Antônio José da Costa Pereira e D. Custódia Maria da Costa.

 

Desde muito cedo, brotou no seu coração de moço, o amor e a dedicação pela instrução. Estudou humanidades em São Paulo, sob a direção dos notáveis professores; Augusto Freire da Silva, Francisco de Paulo Rodrigues e Dr. John Melchert. Claro de inteligência, desenvolveu-se com incrível facilidade, obtendo distinções consecutivas. Por esse tempo, lecionava ele já aos seus colegas de estudo, que viam nele um verdadeiro batalhador.

 

Em 1906, no Instituto Evangélico, hoje Instituto Gammon, iniciou sua carreira magistral. Venerado pelos seus alunos, dirigia a cadeira de Português e Literatura, ocupando também as mesmas cadeiras no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, onde desenvolveu grandes atividades no incentivo e na orientação ao estudo. Galgando assim os degraus do merecimento, foi em 16 de janeiro de 1907, nomeado diretor do Grupo Escolar de Lavras, o qual tem hoje o seu nome. Com a vontade e o esclarecimento que lhe eram peculiares, trabalhou incessantemente nesta casa até o ano de 1925, fazendo dela a mais completa em todo o Estado de Minas; pela sua organização que compreendia; além do Curso Primário, o ensino técnico de marcenaria, serralheria, sapataria, costura, arte culinária, horticultura, biblioteca, museu e assistência escolar.  Pelo seu trabalho, pela sua dedicação, pelo seu esforço, o Grupo Escolar de Lavras, passou a ser apontado como padrão para todo o estado de Minas.

 

Firmino Costa pensava com acerto, quanto ao futuro das crianças pobres que ali recebiam a instrução primária: ao se terminar o curso, os menos amparados pela fortuna, deixavam os bancos da escola, com apenas um diploma de alfabetizados, tendo dessa forma, de suportar trabalhos rudes e de pouca remuneração, sem direitos nem garantias. Tendo então instituído os cursos práticos profissionais, anexos ao estabelecimento, forneceu aos deserdados da sorte, a oportunidade de escolher e aprender um ofício, entregando-lhes desta maneira a certeza de um futuro independente e nobre. Quantos oficiais de profissão, competentes, forneceu a Lavras o seu ideal, muito antes que qualquer governo pensasse em ensino profissional, em todo o território brasileiro.

 

Ocupou ainda o professor Firmino Costa os seguintes cargos: Reitor do Ginásio Mineiro de Barbacena, para o que foi nomeado em 22 de dezembro de 1925; diretor do Curso de Aplicação da Escola Normal de Belo Horizonte em 1930; membro do conselho superior da Saúde Pública em 1931; inspetor dos estabelecimentos federais de Ensino Secundário em 1933. Em todos esses cargos, Firmino Costa soube se impor, com certeza e inteligência.

 

Em dezoito relatórios anuais, sobre o Grupo Escolar de Lavras, os quais foram publicados no “Minas Gerais” e alguns em separata por iniciativa do governo do Estado, Firmino Costa desenvolveu com brilhantismo, suas idéias, concernentes à organização do ensino primário, técnico e normal.

 

Os seus trabalhos apresentados anteriormente, criaram-lhe uma atmosfera de confiança, que repercutia em todos os rincões. Publicou os seguintes trabalhos: “O Ensino Popular”, “O Ensino Primário”, “Gramática Portuguesa”, “Léxico Gramatical”, “Vocabulário Analógico”, “O Calendário Escolar”, “Pela Escola Ativa”, “Como Ensinar Linguagem”, “Pestalozi”, “Aprender a Estudar”, obras consagradas pelos filólogos e educadores nacionais, além de muitas outras de igual valor. Deixou ainda por editar dois livros magníficos: “Memorial da Linguagem” e “Edifício da Vida”.

 

Batalhador incansável, Firmino Costa encontrou em D. Alice Bueno Costa a companheira de suas lutas, consorciando-se com esta em 12 de outubro de 1898, tendo D. Alice falecido em 23 de maio de 1931. Desse consórcio nasceram sete filhos, tendo muitos deles seguido os passos de Firmino Costa, na carreira educacional.

 

Lavras, agradecida, guarda no refolho do seu coração, a figura refulgente deste que soube dedicar a sua vida um nobre ideal, combatendo a ignorância num verdadeiro apostolado a favor da educação bem dirigida, trazendo para os infelizes deserdados, além do direito à alfabetização, as bases de uma profissão sólida e certa.

 

Morto Firmino Costa, o governo, livre dos pedidos e das exigências deste grande benfeitor, e desviando o dinheiro da nação, mais para os banquetes e homenagens de ostentação, que para o amparo e orientação nacional, deixou que se acabasse, chegando a desaparecer por completo, o curso prático, anexo ao grupo escolar modelo de todo o estado: Grupo Escolar Firmino Costa.

 

Lavras se levanta hoje, para num preito sincero de gratidão, enviar para o além, numa palavra uníssona, um “osanas” ao impoluto idealista.

 

Eu, como admirador da obra deste guia da instrução, como admirador da sua obra, professor Firmino Costa, quero enviar daqui, do seio da incompreensão humana, como simples e modesta homenagem à sua memória imortal, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 14h09
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NADADOR INFANTO-JUVENIL MINEIRO

 

- Mérito –

 

p. 195

 

 

Mais uma vez você se elevou nos píncaros da vitória, para colher nas frontes do triunfo, os louros refulgentes de u ma glória merecida.

 

Oito vezes consecutivas você soube se orientar até às pompas de uma apoteose brilhante, levantando o campeonato brasileiro de natação.

 

A sua fibra de lutador consciente, se revela no esforço que coroa de ponto a ponto, de arrancada em arrancada, um título que orgulha o povo deste estado montanhês.

 

Forte esperança de um robusto e são Brasil de amanhã, o povo de Minas Gerais vibra mais uma vez com a sua façanha arrojada, de colher para o seu solo os troféus soberbos de uma intensa luta.

 

Que a perfeição de seu espírito e o aprimoramento de sua moral, caminhe ombro a ombro, numa unidade perfeita de equilíbrio com o culto físico de uma orientação eficiente.

 

Em você, forte infanto-juvenil das alterosas, se gravam todos os olhares agradecidos, de um povo que sabe avaliar, no entrechocar das árduas lidas, o valor de uma vitória bem merecida.

 

Lavras, como célula viva deste vibrante estado, se alia também ao júbilo de todos os mineiros, para lhe dizer: - Eia bravos! Mocidade forte! Minas Gerais vislumbra, através do seu presente, a luminosidade de um porvir grandioso.

 

E, como porta-voz da Rádio Cultura D’Oeste, átomo luminoso deste pedaço das Gerais, eu levanto a minha voz, para deixar aqui, campeão brasileiro de natação, num preito de admiração, como simples homenagem, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 14h09
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AMIGO DA ONÇA

 

- Repulsa –

 

p.199

 

 

Quando os braços da ignorância, impelidos pelos brados do despeito, pesam sobre a servilidade moral e intelectual de mentes escravizadas em normas limítrofes de uma visão mal formada, o sussurro da intriga e da infâmia se fazem ouvir, como um coaxar de sapos impotentes, que se arrastam no lodo da vida.

 

Os batráquios nojentos, que agrilhoados pela impotência de se elevar e se fazer ouvir, lançam contra as livres águias que desconhecem as fronteiras e a mão do servilismo, os seus uivo de inveja e os seus roucos anátemas de servos comprados.

 

O raio parte sempre das cimas rochosas de montanhas agrestes, onde vive o falcão do direito, alheio às baixezas sórdidas de uma senzala.

 

As baixas mentalidades, atrofiadas pelo despeito e feridas pela inveja, encontram as suas fronteiras no mais próximo horizonte, enquanto os que lutam pelo direito, guiados pela luz de todos os sóis e falando no troar de todos os raios, não encontram o obstáculo dos horizontes, mas enxergam a vida, na vastidão imensa do infinito.

 

Você, impotente difamador da verdade, já experimentou conhecer seu próprio “eu” espiritual? Se ainda não, procura então conhecer; feche-se em quarto, defronte a um espelho e faça algumas perguntas a si mesmo. Suas faces se enrubescerão de vergonha, se é que você tem sangue a correr pelas veias. Estuda a sua própria pessoa e veja o quanto de falso e de insincero você encontrará em sua esquálida mente de escravo voluntário. Depois então tenta prosseguir conscienciosamente a sua tarefa de “leva e traz”, se assim o conseguir, então poderá você procurar para o seu futuro, nos bordéis e nas baixas rodas da cidade um cargo de ALCOVITEIRO. Aí então você terá encontrado o clímax dessa glória que a sua mente atrofiada e mesquinha imagina perfeita.

 

Com esta sugestão desinteressada, eu deixo aqui, para você, verme putrefato da infâmia e da covardia, para você, amigo da onça, com a minha indiferença, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 14h08
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ASSOCIAÇÃO OLÍMPICA DE LAVRAS

 

- Mérito –

 

p.203

 

 

Como que um sonho acalentado no peito da esperança e brotado do coração de uma vontade dinâmica, apareceu um nome em todos os lábios, correndo em toda a extensão desta velha e descuidada terra: ...Associação Olímpica de Lavras... Associação Olímpica de Lavras...

 

Como que um rumor de ignorância, circulou de porta em porta, de boca em boca, mesclando-se num crescendo e crescendo, interrogações e exclamações, saturavam de curiosidade o espírito do povo. É que uma simples sociedade futebolística, até então conhecida como “Lavras Esporte Clube”, se alevantava, espreitando além de horizontes mais amplos, uma realização mais completa, aliando à saúde do corpo a perfeição do espírito e o engrandecimento do saber.

 

E, de sussurros medrosos, lentamente, como o despertar de um gigante adormecido no coração de noites intermináveis, um brado se fez ouvir por todos os rincões lavrenses, como um entrechocar de titãs nos remotos mares de histórias há muito inertes.

 

Surgia do espírito alevantado e arrojado de um grupo de lavrenses sonhadores, de nascimento ou de coração, uma idéia que a princípio pareceu fantástica e quase impossível, mas que ao correr dos dias, como a semente fértil, lançada no seio virgem do solo, estalou em rebentos vigorosos, onde a esperança depositou em luminosos beijos lançados ao sabor da brisa, o seu esmeraldino verde de um porvir grandioso.

 

E a Associação Olímpica de Lavras continua o seu caminhar altaneiro, ora a passos incertos, tropeçando com os espinhos árduos lançados pelo pessimismo nos sendeiros do progresso, enfrentando mentalidades derrotistas,onde pululam os vermos do despeito no seu mais pútrido estado, tendo como alimento o odor fétido de decompostos miasmas; ora a largos passos, por alamedas ensolaradas, na luminosidade de espíritos empreendedores, progressistas e honestos.

 

E a Associação Olímpica é hoje um ideal, não de um grupo, mas de toda a Lavras que almeja um são futuro, coroado de louros pelas mãos do merecimento.

 

Aliado a este ideal de nobres mentes, é que aqui deixo hoje, crendo no seu futuro de glórias, Associação Olímpica de Lavras, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 14h07
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CIDADE DE NEPOMUCENO

 

- Ode –

 

p.207

 

 

Vivendo sob o mesmo céu de luminosidades cívicas de nossa terra, fulgura com brilho e esplendor a vizinha e progressista cidade de Nepomuceno.

 

Povo culto e altruísta que pugna pela grandeza do seu torrão natal, com o mesmo ímpeto que um gigante de ferro, desprendido do coração da letargia, lançando-se de relance em meio da cegadora luz do movimento, do trabalho e do progresso. Impávido pedaço de Minas Gerais que despertando das trevas do anonimato, se ergue majestoso, ostentando na sua mais potente vontade uma coroa brilhante de nobres ideais.

 

Cidade de Nepomuceno, filha de Lavras no passado, irmã de Lavras no presente e rival de Lavras no futuro; o seu caminho está marcado com traços de luz nos sendeiros do porvir, que levam até às frontes do triunfo aqueles que, lidando pelo direito e pela verdade, pelo progresso e pela liberdade, hasteiam bandeiras de luta pela grandeza do Brasil.

 

Nós lavrenses encaramos você, Cidade de Nepomuceno, com esperança e orgulho e medimos os seus passos em demanda da promissão futura.

 

E é para você, progressista cidade de Nepomuceno, que eu deixo aqui, com a admiração de um lavrense sincero, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h43
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FRANCISCO PINTO DE SOUZA

 

- Advertência –

 

p.211

 

 

Recebendo nas mãos o destino de uma terra maltratada, erguendo sobre os ombros o fardo da responsabilidade que lhe impôs a confiança dos lavrenses, você, Francisco Pinto de Souza, você, novo prefeito de Lavras, encontrou ante os seus olhos um punhado de necessidades a suprir e uma avalanche de problemas a resolver. Você tomou para si uma intrincada equação a solucionar, equação esta, esperamos nós, que a sua mente de administrador, há de resolver nas tábuas da matemática da vontade e do amor ao trabalho.

 

O povo de Lavras está com os olhos fitos em você. Prontas as mãos para aplaudir e livres os pensamentos par criticar.

 

Este povo ludibriado tantas e tantas vezes por administradores inescrupulosos, pagando impostos escorchantes de lâmpadas, torneiras e poeira, alcunhados aqui de luz e força, água e calçamento, vibra agora de esperanças, confiante no seu espírito de trabalhador incansável e alma desprendida de neutro administrador.

 

Lavras espera que a sua passagem pela prefeitura, antes infestada por uma burocracia estacionadora – salvaguardando a pessoa do seu imediato antecessor – deixe um traço marcante de atividades, nos caminhos de um porvir mais certo.

 

Francisco Pinto, a minha palavra, embora fraca, é sincera.

 

O meu espírito é por demais livre para se vender a bajulações imerecidas e a minha voz, embora de pouca repercussão, jamais desertou das batalhas pelas boas obras, como também, jamais deixou de bradar contra a inanição de retrógrados inertes.

 

Apoiado no meu modo de pensar, desconhecendo toda e qualquer imposição e rompendo qualquer mordaça que por acaso quisesse tapar-me a boca, eu me dirijo a você, Francisco Pinto, para dizer: - Se o se caminho é o caminho do progresso e do trabalho, da vontade e da igualdade, eu estou com você, pronto para a maior e mais estreita cooperação que a capacidade me permite. Se entretanto, o seu caminho é o mesmo que trilharam outros por aqui passados, conta com a minha fraca, porém ferrenha oposição.

 

Sem embargo, eu creio na sua boa vontade e deixo aqui, como se saísse da garganta poeirenta desta velha Lavras, Francisco Pinto de Souza, novo prefeito da nossa terra, com esperança e antevendo a sua obra de reerguimento, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h41
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ELETRICISTA LAVRENSE

 

- Ode –

 

p.215

 

 

Numa sucessão constante e ininterrupta no alto posto administrativo da cidade de Lavras, nós contemplamos, num desfolhar perene da história de nossa terra, uma burocracia pomposa e infrutífera, saturada da maior e mais surda inércia, embalada nos braços de uma padrinhagem aberta e descabido, enquanto o clamor lavrense de velhas esperanças insatisfeitas, reboa desde há muitos anos, pairando como uma nuvem de sonhos impossíveis.

 

Entre as necessidades prementes de nossa terra, colocamos em primeiro plano a falta de energia elétrica, que pouco ou nenhum interesse despertou até agora no espírito dos nossos administradores.

 

Gerada em uma usina antiquada, deficiente e mal instalada e conduzida por um emaranhado de fios velhos, remendados aqui e acolá, sobre postes vergados e sem alinhamento, a nossa energia elétrica, instalada pelo método confuso, mais parece um quebra-cabeças do que uma rede de força e luz.

 

As indústrias sacrificam-se constantemente, a nossa iluminação se assemelha a u ma imperfeita ornamentação de lanterninhas chinesas, pontilhando palidamente as esburacadas ruas da velha Lavras. E nós, com imprecações e palavras de ofensa, generalizando mesmo, muitas vezes nos esquecemos de um exército de meia dúzia de homens, que lutando dia após dia e noite trás noite, arriscando a própria vida nesta teia infernal, enfrenta temporais para nos assegurar, se bem que deficiente, a iluminação das nossas noites. É esse heróico exército, mal remunerado e mal armado, que rompendo dificuldades na conservação e manutenção da nossa força elétrica, opera verdadeiros milagres.

 

É ao corpo de eletricistas de Lavras que eu hoje me dirijo. A esses heróicos soldados do silêncio, comandados pelo dever, que não têm hora para trabalhar e dormem um sono de sobressaltos, saindo a qualquer momento para resolver mais uma equação dessa matemática emaranhada e confusa que é a nossa força elétrica. A esses abnegados e obscuros servidores da nossa terra, nós devemos nos descobrir com respeito e admiração, pois, a eles devemos, tão somente a eles, ainda uma fagulha de luz em nossas noites.

 

E é a você, soldado do silêncio, batalhador da obscuridade, incompreendido trabalhador da nossa terra, milagroso eletricista lavrense, que eu ofereço a condecoração máxima dessa emissora do povo. Com admiração e respeito, aqui fica o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h39
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SIÁ EMERENCIANA PINTO DE MIRANDA

 

- MÉRITO –

 

(Síntese biográfica)

 

(p.219)

 

 

Manhã de 5 de outubro de 1941. Manhã de cobaltinas luminosidades. As nuvens em brancas manadas, passeavam nos céus de um azul cansado. Uma brisa amena, soprava os penachos de palmeiras, que como braços de turmalinas, saudavam o alvorecer doirado do astro-rei, que levantando-se preguiçosamente, lançava sua cabeleira incendiada pelas dobras assimétricas da terra.  A cidade espreguiçando-se, deixava os mantos translúcidos da madrugada, abrindo as janelas de um dia alabastrino e brilhante. Já a lua se recolhera, puxando consigo o manto de estrelas de sua corte, vagarosamente até outras plagas.

 

Acorda a cidade Lavras. Sobre todas as maravilhas dessa manhã radiosa, pesava um esquisito véu de tristeza. As árvores pareciam se curvar dolentemente e a própria brisa parecia soluçar desamparada nas esquinas.

 

De alto a baixo, do Cruzeiro à Estação. Em todos os recantos, da Chacrinha ao Cascalho; nas altas rodas, nos asilos, nos quartéis, um sussurro medroso caminhava pausadamente, fazendo um eco macio e temeroso nos lares e nas praças, no comércio e nas repartições: Morrera a vovó Emerenciana...

 

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Muito cedo ainda, verdadeiras romarias, desciam as ladeiras íngremes da nossa Lavras, até à casinha modesta de Dona Emerenciana Pinto de Miranda. Ali naquela casa acolhedora, onde os pais e esposos, de todas as rodas, de todas as classes, procuraram por anos a fio a pessoa bondosa da nossa querida madrinha e vovó Emerenciana, uma torrente de lágrimas brotava desconsolada, inundando todos os corações e pondo o seu soluço de desconsolo em todos os peitos. Sobre a mesa, em seu ataúde florido, jazia inerte o corpo cansado daquela boa e idolatrada velhinha.

 

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 Quantas noites, quantas madrugadas, quantos dias ensolarados ou chuvosos, não viram um esposo desesperado, esmurrar aquela porta simples e acolhedora da vovó lavrense: - Siá Emerenciana! Vem comigo, agora, bem depressa! Penso que é chegado o momento!... E nunca deixava de aflorar naqueles lábios a mesma frase consoladora: - Calma meu filho, Deus há de ajudar... com que certeza, com que convicção, vovó Emerenciana pronunciava pausadamente estas palavras. E com razão. Deus sempre ajudava. Era mais um filho de Lavras que nascia, sob os cuidados amorosos desta mãe de uma geração.

 

E quando o aviso do primeiro filho chegava a um lar recém-formado, era de se ver o sorriso da vovó Emerenciana, troçando do novo pai, que via em tudo aquilo uma situação desesperadora, como se somente em sua casa, em toda a existência da humanidade, acontecesse fato tão extraordinário: - Tenha calma, meu filho. Calma e paciência. Quando você nasceu, fui eu quem atendi à sua boa mamãe. E você não está aí forte e sensível? Quem sabe se esse filho seu que vai nascer, não virá também aqui um dia, em busca de minha ajuda? Calma meu filho, Deus há de ajudar.

 

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D. Emerenciana Pinto de Miranda, ou melhor, continuando com a familiaridade, vovó Emerenciana gozava da confiança de todos os médicos de Lavras, que viam na sua prática, no seu desvelo, as bases de uma verdadeira ciência. E a boa velhinha, dia após dia e noite após noite, levava aos lares desta “terra dos ipês e das escolas”, o seu sorriso amigo e a sua confiança altaneira.

 

Exercendo por uns quarenta anos a sua espinhosa profissão de parteira, vovó Emerenciana comparticipou nos trabalhos de dar à luz da vida cerca de quatro mil lavrenses. Soube ela também, ser na verdade vovó de todos eles, porquanto a sua dedicação não terminava com o final do trabalho profissional, mas, acompanhava os seus netinhos na vida, sempre com desvelo e atenção, fazendo questão absoluta de ser vovó e madrinha. E, sem exagero, era-o na verdade.

 

Vovó Emerenciana era comadre de meia Lavras. Vivia sempre a indagar pela saúde da comadre ou do compadre, pela situação do netinho. Era na verdade uma santa mulher.

 

Com que satisfação comparecia aos aniversários dos netinhos – e nunca deixavam de convidá-la – tomava mesmo parte ativa na festinha, preparava os doces, a mesa e nunca se esquecia de amassar uma gostosa rosca folhada para o apetite da garotada. Ah! A rosca folhada da vovó Emerenciana!

 

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Escrito por Elcídio Grandi às 12h38
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D. Emerenciana Pinto de Miranda nasceu nesta cidade de Lavras, a 16 de julho de 1865. Aqui passou toda a sua infância e mocidade. Contraiu matrimônio com Sr. Sidney de Paula Pinto em maio de 1881. Como esposa devotada, viveu sempre ao lado do seu marido, atravessando com ele os caminhos da vida; sorrindo com as suas alegrias e chorando com as suas tristezas.

 

Mãe carinhosa, deu ao mundo sete filhos que eram o adorno de sua vida de batalhadora.

 

Em 15 de maio de 1903, justamente ao completar-se o 22º aniversário de seu casamento, a morte entrou em sua casa, roubando-lhe dos braços ternos e amorosos o companheiro de sua vida. Falecia o seu marido Sidney de Paula Pinto.

 

Se D. Emerenciana foi uma boa vovó, uma ótima comadre, que mãe extraordinária não foi! Enviuvando-se 22 anos depois de casada, quando quase todos os filhos eram ainda crianças, cuidou ela da educação de todos eles, sempre lutando pela vida, dentro da carreira que a consagrou, fazendo dela o ídolo supremo dos lares lavrenses.

 

E galgou assim, vovó Emerenciana os degraus da vida. Sempre confiante e bondosa, arranjando cada dia que passava, mais um netinho para a sua já enorme família espiritual.

 

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 E foi por tudo isto, que naquela manhã de sol, mesmo sob os augures de um dia belíssimo, toda a cidade se debruçava num pranto uníssono e sentido, fazendo verter do mais profundo do seu coração, lágrimas sinceras de dor e desconsolo. Era o 5 de outubro de 1941.

 

Se vovó Emerenciana, que viveu e batalhou como pobre, levando durante toda a sua vida um bálsamo a cada lar onde um novo ser despontava para ocupar um lugar ao sol, morreu e foi sepultada como u’a rica, no dizer do nosso amigo Bi Moreira. O seu enterramento foi uma verdadeira e sincera apoteose da riqueza de sentimentos de um povo agradecido, que, serpenteando pelas ruas tortuosas da cidade, levou até à última e eterna morada o corpo de vovó Emerenciana.

 

Examinando-se cada rosto daquele cortejo imenso, notava-se o pesar e o respeito, a dor e as lágrimas, que, num, num corolário constante, marcavam todos os semblantes. Toda a Lavras compareceu à última jornada de vovó Emerenciana sobre a terra. Empunhando as alças de seu caixão, lavrenses de quem ela ouvira o primeiro choro e a quem dera o primeiro banho, com seu desvelo maternal e amigo, caminhavam de olhar baixo, com o coração dilacerado pelo rude golpe do destino. De todas as janelas e portas da cidade, por onde passava aquela massa humana, como u’a mole de peregrinos seguindo o seu profeta, rostos demarcados pela tristeza, apareciam prendendo soluços, com os olhos queimados pelas lágrimas que então imperavam desconsoladas, baixando-se respeitosamente; passava o cortejo da gratidão e da saudade.

 

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De todas as esferas da atividade lavrense, surgiram as mais veementes homenagens àquela que soube palmilhar com carinho e desprendimento os sendeiros da existência. Todas as associações religiosas da cidade compareceram ao seu sepultamento, devidamente incorporadas, conduzindo os seus estandartes. A banda de música Euterpe-Operária, conduzida pelo seu maestro, prof. José Luiz de Mesquita, traduziu em notas musicais de pungentes marchas fúnebres, a tristeza e a dor reinante em todos os corações. E, a passos lentos, aquela multidão heterogênea, em absoluto silêncio, acompanhou confrangida, um corpo cuja alma já tomara assento no além infinito, junto ao trono do Senhor.

 

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Hoje, 5 de outubro de 1947, vemos passar o 6º aniversário de morte da inesquecível vovó Emerenciana. Os lavrenses, netos espirituais desta bondosa velhinha, voltam seus olhos para o azul dos céus, numa prece fervorosa e sincera, de onde brota, em florilégios vibrantes, um preito de agradecimento e uma saudade perene e imorredoura.

 

Vovó Emerenciana, ouve aí das alturas, a voz deste seu neto, que aqui da terra, contemplando pelos olhos da imaginação a sua glória, se curva num misto de respeito e saudade.

 

Escondido aqui no meu cantinho, desfrutando este lugar ao sol que a sua mão benfazeja ajudou a me proporcionar, eu quero deixar aqui, para você, boa e dedicada velhinha, para você, vovó Emerenciana, com uma saudade infinda e uma sinceridade tocante, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h38
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PUNHAL DE BRUTUS

 

- Luta –

 

 

p.227

 

 

Um braço que se ergue para tirar a vida a um tirano, nunca poderá ser chamado assassino.

 

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Quando, na sombra das colunas do Fórum Romano, o punhal de Brutus baixou direito ao coração de César, não foi somente para tirar a existência de um homem, mas sim para libertar uma pátria inteira do misticismo e da covardia, da impiedade e da vergonha.

 

Um punhal se levantou uma vez em nossa pátria, para ferir, não como o de Brutus a favor da liberdade, mas sim surgido das trevas da ganância e da traição, da trama vergonhosa de u ma politicalha imunda, emaranhando nas teias da intriga e da infâmia, um homem, que embora impotente, se debatia por dias melhores para uma pátria de degenerados profissionais do mando.

 

Achicalhado pela populaça comprada, pela opinião ludibriada e traído pelos fardões da ostentação que o cercavam, deixou um dia o nosso Brasil, um homem de espírito nobre, embora falho como todos os homens de governo que até agora possuímos, mas, dono de uma mentalidade patriótica e democrata, para dar lugar ao festim da incompetência, que por quinze anos assolou essa pátria infeliz e enganada.

 

Foi numa tarde quente de agosto; deixava o Palácio do Catete o presidente Washington Luiz. Partia para o desterro, expulso de sua própria terra – a bem da pátria – diziam os engalanados ministros. E, que brotaria dessa revolução,pelejada com símbolos de liberdade, alicerçada em normas de direito? Uma nova era de paz e de concórdia – pensava o povo. Novos horizontes de progresso e de fartura – acalentava a coletividade.

 

E daquela revolução de heróis, daquele sorvedouro de vidas, surgiu sorridente um homem; vinha dos Pampas sulinos, trazia uma bagagem de promessas para novos dias, trazia palavras de ânimo e de carinho para todos os brasileiros. Era Getúlio Dorneles Vargas. Sob a modéstia de seus modos e a acolhedora confiança do seu sorriso, trazia o vírus tenebroso da ostentação e da padrinhagem, da ditadura e da traição. Colocando mão de ferro sobre os desígnios do Brasil, traçou a seu modo o futuro de miséria e vergonha para o povo. Abriu os cofres da nação e deu início à representação das mil uma noites de esbanjamentos e bajulações. Colocou mordaça na boca do povo. Traiu e desterrou os amigos da liberdade, criou cargos para os amigos e parentes, construiu palacetes e cassinos, esqueceu-se das escolas e dos hospitais, decretou a miséria e o esperdício, a fome da coletividade e a fartura dos potentados. E tivemos então a derrocada do direito a favor do misticismo e da imposição. Quinze anos de vergonhas, sob o cínico sorriso getuliano. Mas, os tempos passaram e o povo se cansou da mordaça que o tolhia. Infelizmente não tivemos o punhal de Brutus, para sacar a vida a esse fantoche mistificador, nem sequer o desterro lhe foi imposto. Continua ele a viver no meio dos brasileiros, com a sua mentalidade cancerosa e mesquinha.

 

Este homem merece a lei de Brutus e bendita seja a mão que se erga contra ele.

 

Agora, sob o regime da liberdade, Washington Luiz volta ao nosso meio: Cabeça alevantada e nobre, sob os aplausos da massa que um dia o expulsou, par em seu lugar colocar o pai e responsável pelas misérias do Brasil.

 

Washington Luiz volta ao seu solo pátrio, com um toldo de íntima satisfação a cobrir-lhe a face. Entretanto, aqui encontra ele, o homem que traiu o povo do Brasil, o ditador que amordaçou a imprensa, o fantoche que perseguiu a liberdade, sorrindo numa cadeira de senador.

 

Unindo a minha voz ao júbilo de todos os brasileiros que amam a liberdade, eu quero dizer aqui, para você, democrata Washington Luiz, que existem ainda em nossa pátria homens que pugnam pelo direito e pela verdade, e, a quem a sua volta trouxe um bafejo forte de esperanças.

 

Quanto a César, que ocupa ainda uma cadeira nos pináculos da nação,eu espero do povo do Brasil, a cobrança de um erro imperdoável e quero deixar aqui, para aquele que há de vingar a coletividade, para você, punhal de Brutus, o meu ei...

 

O MEU EI PARA VOCÊ.



Escrito por Elcídio Grandi às 12h35
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